Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2019
A Polícia Militar de São Paulo fez um esquema especial de segurança antes da chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao velório do neto Arthur. Ao todo, seis PMs armados estavam na capela onde era velado o corpo do menino de 7 anos, falecido na sexta-feira, vítima de meningite.
Além disso, mais de dez viaturas cobriam o entorno do local e uma barreira foi feita na entrada do cemitério. Todo esse aparato causou incômodo à família do líder petista, amigos e aliados. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, conversou no local com o comando da corporação, pedindo que os agentes fossem menos ostensivos e reclamando do que que considerava como “exagero” na operação.
Por volta de 9h desse sábado, o movimento já havia se intensificado na sala do velório. Por orientação da PF, apenas familiares puderam permanecer no local reservado à cerimônia. O policiamento era grande do lado de fora. Com comboio da Polícia Federal, Lula chegou ao cemitério por volta das 11h. Ele foi recebido com aplausos por pessoas que aguardavam do lado de fora.
Abatido, ele deixou o carro, acenou para os militantes e entrou na sala. Do lado de fora, as pessoas rezaram um “Pai Nosso” e gritaram “Lula livre”. Amigos da família que participaram da cerimônia disseram que, assim que o caixão desceu na cerimônia de cremação, agentes da Polícia Federal já estavam ao lado do ex-presidente para retirá-lo da sala.
Como era de esperar, o clima no velório era de profunda tristeza. Sandro, filho caçula de Lula e pai de Arthur, chorava em uma cadeira ao lado do caixão branco do garoto, sob o qual foram postos um par de chuteiras e uma bola de futebol.
Roteiro
Ao todo, 275 policiais militares participaram da operação de escolta. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou à carceragem da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR) na tarde desse sábado. O avião com o líder petista pousou por volta das 15h30min no Aeroporto do Bacacheri, na capital paranaense.
De lá, seguiu de helicóptero para PF, onde chegou às 15h45min.Ele havia deixado a capital paranaense no início da manhã, seguindo para São Paulo de avião. Ao chegar e sair do Cemitério Jardim da Colina, onde permaneceu entre 11h e 13h, acenou para simpatizantes.
O ex-presidente está preso desde abril de 2018, em cumprimento de uma sentença de 12 anos um mês em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, no âmbito da Operação Lava-Jato. Na noite de sexta-feira, ele recebeu autorização da Justiça Federal para participar da despedida do neto. A íntegra da decisão não foi divulgada.
Declarações
O ato fúnebre de Arthur reuniu petistas e correligionários de Lula, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e o ex-presidenciável Guilherme Boulos (PSOL), bem como os ex-ministros Benedita da Silva, Aloizio Mercadante e Alexandre Padilha.
Políticos mais próximos do ex-presidente e que participaram da cerimônia destacaram a proximidade de Lula com o neto: “Era um garotinho que estava sempre com ele, sempre no colo, acompanhando o Lula em tudo que era atividade, enfim, é um momento difícil”, disse Rafael Marques, ex-presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC.
Ao deixar a cerimônia, Haddad afirmou que Lula está “sentindo como avô e como pai do pai (de Arthur)”. Questionado sobre a situação de saúde do ex-presidente, Haddad afirmou que será preciso acompanhar mais atentamente a saúde do ex-presidente após a perda do neto. “Não podemos subestimar diante de uma dor tão tremenda”, afirmou.
João Pedro Stédile, um dos fundadores do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), contou que o ex-presidente fez uma declaração durante a cerimônia: “Ele disse que Arthur vinha sofrendo bullying na escola, que os colegas dele ficavam dizendo que o avô dele era ladrão e que por isso estava preso.”
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