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Brasil Uma tatuagem levou à descoberta de um dos acusados de matar a vereadora Marielle

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Apesar de cobrir a marca com uma luva preta, o pistoleiro deixou-a à mostra em momento de “relaxamento”. (Foto: Reprodução)

A análise de imagens do Cobalt prata que levava os atiradores foi decisiva na identificação dos acusados de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Por meio do uso de raios infravermelhos, integrantes do laboratório de imagens do MP (Ministério Público) do Rio perceberam a presença de uma imensa tatuagem no braço direito de um dos homens no carro, posteriormente identificado como o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa.

A tatuagem retrata uma espécie de guerreiro, cujo corpo começa pelas costas, estendendo-se até os braços do PM. Apesar de vestir uma luva preta cobrindo a marca, o pistoleiro deixou-a à mostra em momento de “relaxamento”, quando ele recosta o braço no banco traseiro do Cobalt ainda estava estacionado, na Rua dos Inválidos. Com duração de uma fração de segundo, o gesto foi filmado por uma câmera da região. A partir da localização da imagem pelo núcleo da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, coube à Polícia Civil descobrir mais fotos e vídeos que mostrassem detalhes da tatuagem do suspeito e dele atirando.

A equipe do titular da Delegacia de Homicídios da Capital Giniton Lages conseguiu fotos de Lessa num hospital, após sofrer um assalto em 27 de abril do ano passado. Um homem de motocicleta teria abordado o carro onde estavam o PM reformado e um amigo bombeiro na Barra, mas os dois reagiram e balearam o criminoso, que fugiu ferido. O ataque ocorreu pouco mais de um mês do assassinato de Marielle e Anderson. Na coletiva, Giniton garantiu que as investigações comprovaram se tratar de um assalto.

Planejamento

Os detalhes foram meticulosamente pesquisados. A preparação teve várias etapas.O plano foi elaborado com antecedência. As investigações que levaram à prisão do sargento reformado Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos, e do ex-PM Élcio Queiroz, identificado como motorista na hora da ação, mostram que os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes começaram a ser gestados quatro meses antes. Mais precisamente em 10 de novembro de 2017. O rastreamento de uma conta de e-mail de Lessa descreve, passo a passo, a anatomia do que a polícia chama de pré-crime. Pode-se dizer que o levantamento digital funcionou como um mapa para se chegar à impressão digital de quem apertou o gatilho em 14 de março de 2018.

A devassa do Núcleo de Busca Eletrônica da DH no e-mail começou em 1º de janeiro de 2017 e seguiu até depois do crime.O objetivo da polícia era encontrar pistas que provassem o envolvimento de Lessa. A partir delas, foi montado um quebra-cabeças digital, uma espécie de perfil do consumidor do policial: horários em que mais usava a internet, compras realizadas etc. Em 10 de novembro de 2017 foi encontrada a primeira pesquisa considerada suspeita, envolvendo o tema “submetralhadora HKMP5”. O assunto voltou a ser objeto da “curiosidade” do sargento em sites de buscas no período entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018.

A observação das navegações do acusado revela que ele não voltou a fazer qualquer tipo de consulta semelhante às realizadas antes do crime. Mais que isso. O perfil digital de Lessa montado pela polícia revela um usuário ativo na internet, com pesquisas feitas até altas horas da noite. E que esse comportamento sofreu uma quebra de padrão no dia do crime e no período subsequente.

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