Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2019
O jornal do Partido Comunista de Cuba, que controla o governo do país, e outros periódicos da ilha vão reduzir suas edições a partir desta sexta-feira (5) por falta de papel. A medida é similar à primeira feita por Fidel Castro no começo da crise econômica da década de 1990. As informações são das agências de notícias AFP e Reuters.
“Devido às dificuldades com a disponibilidade de papel jornal no país, as edições do jornal Granma às quartas e sextas-feiras, assim como os semanários Granma Internacional, Trabajadores, Orbe e Opciones, serão reduzidas de 16 para oito páginas, a partir de sexta-feira”, relatou nesta quinta-feira (4) o órgão oficial do partido.
O texto destacou que o Juventud Rebelde, outro jornal de âmbito nacional, “circulará aos domingos com sua paginação habitual e deixará de circular aos sábados”, enquanto “outras publicações em série (…) também terão sua circulação afetada”.
Em 24 de agosto de 1991, o Granma anunciou um reajuste similar dos jornais, também devido à falta de papel, na primeira medida tomada por Fidel Castro para enfrentar a crise dos anos 1990.
Cinco dias depois, o governo cubano relatou severas restrições ao consumo de combustível e outros produtos essenciais, bem como a paralisação dos investimentos.
O anúncio desta quinta-feira ocorre em um momento em que os cubanos enfrentam escassez de alimentos básicos, como ovos, farinha de trigo e frango.
Também se dá num contexto em que Washington aposta na queda de Nicolás Maduro na Venezuela e se opõe radicalmente a Cuba e Nicarágua, países aliados ao chavismo.
O governo comunista admitiu publicamente o desabastecimento, argumentando que “produções importantes para a economia não foram atendidas”. Cuba importa entre 60 e 70 por cento dos alimentos que consume por cerca de 2 bilhões de dólares.
Os Estados Unidos também ameaçam aplicar, a partir de 1º de maio, o Capítulo III da Lei Helms-Burton de 1996, que aumentou o embargo contra a ilha desde 1962.
Internet
No último dia 28, o Google assinou um acordo com a empresa que tem o monopólio de telecomunicações em Cuba, a ETECSA, para trabalhar na conectividade da ilha comunista.
O país, com atraso na internet, tem buscado aumentar o acesso nos últimos anos, introduzindo cybercafés, pontos de Wi-Fi e internet móvel, mas os usuários ainda reclamam do custo, da conexão lenta e da cobertura irregular.
Google e ETECSA assinaram um memorando de entendimento para iniciar a negociação de um chamado “acordo de troca” que criaria uma conexão direta e sem custo entre suas redes.
Isso permitiria um acesso mais rápido ao conteúdo hospedado nos servidores do Google, em um país onde a informação é rigidamente controlada, reduzindo os custos para Cuba, que não teria mais que pagar por um intermediário.
“A implementação desse serviço de troca de tráfego na internet é parte da estratégia da ETECSA para o desenvolvimento e informatização do país”, disseram o Google e a ETECSA em comunicado conjunto, lido em coletiva de imprensa em Havana.
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