Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de abril de 2019
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o presidente Jair Bolsonaro de estimular uma invasão militar em seu país e chamou os militares brasileiros a deterem sua “loucura”.
“Faço um chamado às forças militares do Brasil a deter a loucura de Jair Bolsonaro e sua ameaça de guerra contra a Venezuela”, disse Maduro em uma transmissão na TV, na qual também qualificou o presidente brasileiro de “filhote de fascista” e “imitador de Hitler”.
Durante um ato com movimentos de esquerda, Maduro, cuja reeleição é questionada por mais de 50 países que a consideram resultado de eleições “fraudulentas”, disse que nunca antes “um presidente do Brasil havia ameaçado invadir um povo vizinho”, e daquela visita a seu colega Donald Trump, e sua posterior reunião em Israel com Benjamin Netanyahu, Bolsonaro “veio mais louco do que nunca”.
“Qual é a casus belli (motivo de guerra)? Vai invadir por quê? A Venezuela roubou algo do Brasil? A Venezuela agrediu o Brasil? Com quem Bolsonaro conta para uma guerra? Com o povo do Brasil? Com as forças militares do Brasil? Por onde vão entrar? Não lhes parece uma loucura?”, questionou.
Nesta semana, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou em Washington que o Brasil não é partidário de uma intervenção militar para solucionar a crise na Venezuela.
Bolsonaro diz que o governo socialista venezuelano é uma “ditadura”. Durante sua visita recente aos Estados Unidos, em março, se mostrou favorável a uma intervenção juntamente com os EUA e a permitir que tropas americanas estacionem no Brasil, na região da fronteira com a Venezuela.
Na ocasião, o governo venezuelano acusou Bolsonaro e Trump de fazerem “apologia à guerra”. “É grotesco ver dois chefes de Estado com responsabilidades internacionais fazer apologia da guerra, sem nenhuma vergonha, em flagrante violação à Carta das Nações Unidas”, disse o Ministério de Relações Exteriores da Venezuela.
Milícia venezuelana
A Venezuela vai alterar sua legislação para fazer da milícia uma parte das Forças Armadas Bolivarianas, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro em seu discurso neste sábado (13).
No início do mês, Maduro disse que o número de oficiais da milícia venezuelana seria aumentado de 2,1 milhões para 3 milhões até dezembro de 2019.
“O comandante Chávez sonhou com uma poderosa e grande milícia […]. A milícia receberá uma classificação constitucional como parte integral das Forças Armadas do país”, disse Maduro, acrescentando que a legislação seria alterada para essa medida.
A decisão vem em meio a uma profunda crise política na Venezuela. A crise se agravou em janeiro, quando o líder da oposição Juan Guaidó, apoiado pelos EUA, autoproclamou-se presidente interino do país. Maduro segue no poder apoiado por países como China e Rússia, entre outros, e acusa Guaidó de conspirar para derrubá-lo com o apoio de Washington.
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