Domingo, 06 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de agosto de 2015
O ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) declarou à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2014, ter realizado 15 empréstimos para a empresa Água Branca Participações, que somam um total de 7,4 milhões de reais. A companhia, que pertence ao parlamentar, é considerada de fachada por investigadores da Operação Lava-Jato, pelo fato de não possuir funcionários, sede ou parte em outras companhias.
Os valores dos empréstimos registrados no ano passado variam de 51 mil reais a 1,2 milhão de reais, segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo. A PGR (Procuradoria-Geral da República) suspeita que os trâmites de empréstimo sejam peça do sofisticado esquema de lavagem de dinheiro feito pelo senador.
Estão registrados em nome da Água Branca três carros de luxo do ex-presidente, das marcas Bentley, Range Rover e Lamborghini. A Ferrari apreendida na casa do senador, em julho, pela Operação Politeia, está escriturada pela instituição que financiou a empresa de Collor.
Nas investigações, foram apontados empréstimos considerados fictícios em anos anteriores. Em 2011, 2012 e 2013, os apuradores encontraram suplementos monetários nos valores de 2,1 milhões de reais, 4,2 milhões de reais e 3,3 milhões de reais, conforme documentos enviados à Procuradoria pela Receita Federal.
Em 2011 e 2012, a movimentação financeira assinalada pela companhia do senador foi zero. Em 2013, o giro de dinheiro foi de 436 mil reais. A discrepância entre os empréstimos feitos e as operações da Água Branca chamou a atenção dos investigadores. Em parecer encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradoria pediu que os carros de luxo do ex-presidente recolhidos não sejam devolvidos. Para os policiais federais, os veículos são possivelmente produto de crime, e as apurações apontaram que Collor recebeu 26 milhões de reais em propina de 2010 a 2014.
Para Collor, há uma sórdida estratégia midiática promovida pelo procurador-geral Rodrigo Janot para prejudicá-lo. “Utilizam-se do meu nome, da minha imagem, dos meus bens para se autopromover, para fazer espetáculo”, disse. “Que humilhação vem me impondo essa alcateia que se apoderou do Ministério Público Federal”, lamentou o senador. (AE)
Os comentários estão desativados.