Segunda-feira, 28 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Suicídio de ex-presidente peruano tem paralelos com o de Getúlio Vargas no Brasil, diz analista britânico

Compartilhe esta notícia:

O presidente Getúlio Vargas se suicidou enquanto ainda estava no cargo, em meio a uma crise política que tinha engolido seu governo. (Foto: Reprodução)

Para o colunista da revista britânica The Economist e ex-correspondente da publicação no Peru, Michael Reid, o suicídio do ex-presidente peruano Alan García tem paralelos com o de Getúlio Vargas (1954). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

“Ambos haviam tido um primeiro mandato no passado que consideravam exitoso e quiseram reviver isso depois num segundo período. Ambos também eram animais políticos e, quando se viram pressionados a ter de ficar de fora da política, preferiram se matar. E, em terceiro, diria que mesmo tendo cometido erros, eram homens inteligentes. Ambos bons oradores”, afirmou.

García, 69, foi presidente do Peru por duas vezes, de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011. Ele se suicidou nesta quarta-feira (17) em sua casa em Lima após receber ordem de prisão.

O ex-presidente era investigado por sua ligação com o escândalo revelado pela Lava Jato na América do Sul em dois casos: ter recebido verbas ilegais da Odebrecht durante a campanha eleitoral de 2006 e por ter favorecido a empreiteira brasileira na licitação das obras da linha 1 do metrô de Lima.

A Procuradoria peruana ainda investiga se o pagamento de US$ 100 mil que a Odebrecht fez a García por uma conferência na Fiesp (Federação de Indústrias de São Paulo), em São Paulo, em 2012, está relacionado a pagamentos ilícitos em troca de benefícios à empreiteira brasileira.

Já Getúlio, que governou o Brasil por dois períodos (1930-1945 e 1951-1954), se suicidou enquanto ainda estava no cargo, em meio a uma crise política que tinha engolido seu governo.

Para Reid, autor do livro “Forgotten Continent” (continente esquecido), sobre a América Latina, as declarações de García sobre a falta de evidências concretas para sua acusação são corretas.

“A única das acusações contra ele de que se tem prova concreta é que ele recebeu dinheiro da Odebrecht pela palestra na Fiesp, em São Paulo. Mas essas coisas são pagas, são legais. Estabelecer um vínculo com subornos em seu governo a partir apenas dessa evidência é algo que não se sustenta muito. Não digo que não tenha sido corrupto, mas é verdade que ainda faltavam evidências contundentes para prendê-lo agora.”

Reid crê que o Peru se diferencia dos outros países latino-americanos nesse caso do escândalo da Odebrecht, com investigações e prisões de quase todos os ex-presidentes, porque “há uma geração nova na Justiça, que se mostrou engajada em levar adiante as investigações”.

“Em segundo lugar, o Peru é um país que sempre contestou muito seus governantes, tanto que eles perdem a popularidade sempre muito cedo. Essa tradição da cultura histórica ajuda a acelerar o processo. Também creio que a imprensa se empenhou muito em divulgar os casos de corrupção.”

Para o jornalista, a morte de García não vai mudar a opinião geral dos peruanos, “de que era um líder arrogante e corrupto”, mas também o transformará em vítima para os apoiadores de um partido que tem “muita mística”, o Apra, o que pode significar um crescimento da sigla num futuro a médio prazo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A decisão do ministro do Supremo Alexandre de Moraes de censurar uma revista aumenta a divisão entre os ministros da Corte
O novo álbum de Madonna terá um funk com Anitta, “Faz Gostoso”
Pode te interessar