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Brasil Senador sem partido há três anos relata desdém de seus colegas

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Reguffe foi escolhido para o Senado em 2014 por mais de 826 mil eleitores do DF. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Sem legenda há três anos, Reguffe (DF), de 46 anos, é hoje um estranho no ninho no Senado Federal. Ao levantar bandeiras como o corte de privilégios de parlamentares e a institucionalização de candidaturas independentes, isto é, sem a necessidade de filiação partidária, o congressista acabou isolado politicamente e, de acordo com ele mesmo, passou a ser alvo de “desdém” dos colegas. Alguns até riram quando ele decidiu se candidatar à Presidência da Casa. O parlamentar teve seis votos. A disputa foi vencida por Davi Alcolumbre (DEM-AP), com 42.

“Já teve alguns parlamentares que não me trataram bem e até agiram de forma desrespeitosa. Outros me tratam com muita educação e respeito. Nem sempre o dia a dia é fácil, mas estou cumprindo a minha responsabilidade e fazendo a minha parte”, declarou ele. “Alguns me respeitam, mas alguns olham com certo desdém. Eles me veem um pouco como um cara idealista e utópico.”

Em 2014, Reguffe se elegeu senador pelo PDT e abandonou a legenda em fevereiro de 2016. Desde então, recusou alguns convites de partidos e abraçou a pauta das candidaturas independentes, que vem ganhando musculatura nos últimos anos. No ano passado, por exemplo, ao menos 30 pessoas ligadas a movimentos apartidários tentaram disputar as eleições, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A legislação proíbe.

O ex-pedetista apresentou, já no primeiro mês de mandato, uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para possibilitar o lançamento das candidaturas avulsas, independentemente de filiação. Encaminhada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em fevereiro de 2015, a matéria até hoje não passou da etapa da análise nas comissões. No começo deste ano, ela voltou à CCJ e atualmente está sendo avaliada pelo relator, Major Olímpio (PSL-SP). Na visão de Reguffe, a proposição sofre resistência na Casa porque, em caso de aprovação, ajudaria a enfrentar o chamado “toma lá, dá cá” – distribuição de cargos e funções em troca de outros interesses.

“Alguns parlamentares falam assim: como vai funcionar esse sistema? Aí cada deputado vai ser um partido. Vamos ter 513 partidos na Câmara. Como o presidente vai negociar para votar os projetos? Como o presidente vai fazer essa negociação com 513 partidos? Eu respondo: esse é o problema. Um voto de um parlamentar não deve ser uma questão de negociação. Um voto de um parlamentar deve ser uma questão de convicção.”

Ou seja, para ele, qualquer modificação referente a configurações partidárias seria como mexer em vespeiro, já que há conflito de interesses. Sobretudo após as mudanças impostas pela reforma política, que criou a cláusula de barreira e eliminou as doações privadas. Desde o último pleito, as campanhas são financiadas com o auxílio de fundo público – e os partidos passarão a receber recursos de acordo com o seu desempenho.

“Eu não sou contra a existência dos partidos políticos. Acho que se alguém quiser se filiar a um partido político, essa pessoa tem que ter o direito de se filiar. O que eu defendo é que a pessoa que não queira se filiar a um partido que ela também tenha o direito de ser independente. Cabe à população decidir quem ela quer e quem ela não quer.” O senador disse reconhecer a dificuldade de convencer os colegas da relevância do projeto, mesmo aqueles eleitos com discurso do combate a privilégios. “As pessoas me perguntam se é difícil aprovar. Mas porque é difícil aprovar eu vou deixar de lutar? Não, estou fazendo a minha parte. Protocolei e fico fazendo pronunciamentos defendendo o tema para que ele seja aprovado.”

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