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Brasil Quase 100% do nióbio, metal exaltado por Bolsonaro, é brasileiro, mas a extração é cara, e o mercado, restrito

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Bolsonaro exaltou o nióbio durante recente live. (Foto: Reprodução/YouTube)

Recentemente o presidente Jair Bolsonaro (PSL) viralizou na internet ao publicar um vídeo diretamente do Japão em que mostra um colar de nióbio, exalta o metal e fala em incentivar sua produção no País. “Precisamos, sim, de um Vale do Nióbio no nosso Brasil”, declarou.  Quase 100% do metal exaltado por Bolsonaro é brasileiro, mas a atração é cara, e o mercado, restrito. As informações são do portal UOL.

Presente no discurso de Bolsonaro desde quando ele era deputado, o nióbio, metal branco, brilhante e de baixa dureza, praticamente só é comercializado pelo Brasil. Por outro lado, apesar do quase monopólio e do alto potencial de produção, a substância tem um mercado global limitado e seu potencial pode não ser tão forte quanto o presidente vislumbra.

Brasil é, disparado, o maior produtor

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o País é responsável por cerca de 90% de toda a comercialização de nióbio no planeta, seguido com larga distância por Canadá e Austrália.

Quase todo o nióbio do mundo está aqui

O Brasil tem cerca de 98% da reserva global de nióbio. Assim como em vários países, grande parte dessas minas são conhecidas, mas não exploradas.

Apenas 4 minas e 3 usinas no País

Apesar de toda a reserva de nióbio que existe no Brasil, o País tem em operação apenas quatro minas (duas grandes, uma média e uma pequena) e três usinas (uma média e duas pequenas), segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração). São quatro os Estados produtores de nióbio: Minas Gerais, Goiás, Amazonas e Rondônia.

Maior empresa pertence à família Moreira Salles

A empresa que lidera a produção de nióbio no mundo é a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), fundada em 1955 em Araxá (MG). A companhia é controlada pelo Grupo Moreira Salles, da mesma família que é acionista e controladora do Itaú Unibanco. Uma fatia de 15% da empresa pertence a um consórcio japonês e sul-coreano e outra, também de 15%, foi adquirida por um grupo de empresas chinesas. Dali sai 80% de todo o nióbio comercializado no planeta, vendido para mais de 50 países. Neste ano, a empresa pretende comercializar 97 mil toneladas de produtos de nióbio, e a previsão é aumentar nos próximos anos.

Segundo a mineradora, a reserva de Araxá tem material o bastante para 200 anos de exploração. Mercado global é muito pequeno O mercado de nióbio é muito pequeno no Brasil e no mundo. De acordo com a Agência Nacional de Mineração, o Brasil comercializou R$ 88,46 bilhões de substâncias metálicas em 2017. Desse total, apenas R$ 635 milhões foram de nióbio, o que representa menos de 1% (0,7%).

Como produto de exportação, os dados do nióbio também se mostram tímidos. Das 11 principais substâncias metálicas mais produzidas no Brasil, o nióbio é o quinto mais exportado, mas com um percentual baixo: 4,2% dos US$ 41,7 bilhões totais. Os principais compradores são China, Estados Unidos, Holanda e Japão, mas para nenhum deles o nióbio é a substância mais buscada.

O Brasil também importa alguns produtos com nióbio, mas de maneira quase irrisória. É a substância metálica que menos compramos: 0,02% do total, vindo em especial de China e Peru.

Minério não é raro, mas operação é cara

O problema limitador do nióbio não é a escassez do produto. Há cerca de 85 minas do mineral conhecidas no mundo, em locais como Brasil, Rússia, EUA e no continente africano. Porém, quase nenhuma delas é explorada. A causa disso é também uma das causas do mercado limitado: o custo da operação.

“Como o mercado é limitado, as reservas ainda não são viáveis para entrar em operação, dado o alto investimento exigido no processo de transformação”, afirmou, em nota, a CBMM.

Nióbio precisa ser separado de outros metais

Diferente de outros elementos químicos, o nióbio não é comercializado em sua forma bruta. As empresas que trabalham com o material exploram, nas minas, minerais que contêm nióbio. No caso do Brasil são o pirocloro, o mais popular, achado em Minas Gerais e Goiás, e o columbita-tantalita, achado em Rondônia e no Amazonas. O produto mais popular no Brasil e no mundo é o ferronióbio –que, como o nome aponta, é uma liga metálica de ferro com nióbio.

De acordo com o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), este representou 6% das exportações brasileiras de mineral em 2017. Depois de extraído, o nióbio misturado a outro elemento é separado.

Uso em bijuterias é incomum

Propagandista do nióbio há vários anos, o presidente Jair Bolsonaro não usou o melhor dos exemplos para incentivar o comércio da substância. Fontes da indústria chamaram o uso do metal em bijuterias de “incomum”, em especial pelo seu preço.

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