Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2019
A chapa de oposição liderada por Alberto Fernández, que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner como vice, venceu com larga vantagem as primárias presidenciais argentinas realizadas neste domingo (11), apontaram resultados preliminares.
Com mais de 85% das urnas apuradas, a dupla tinha 47,22% dos votos contra 32,66% da chapa do atual presidente, Mauricio Macri. A tendência, segundo o órgão eleitoral, é que a diferença continuasse assim até o final da apuração.
Caso os números se repitam na eleição de fato, no fim de outubro, Fernández seria eleito em primeiro turno – para isso, ele precisa ter mais de 45% dos votos ou mais de 40% e 10 pontos percentuais de vantagem para o segundo colocado.
De acordo com os dados oficiais, o comparecimento foi alto, com a participação de 75% dos eleitores – o voto é obrigatório no país.
As chamadas “paso” (primárias abertas, simultâneas e obrigatórias) foram criadas em 2009, com a intenção de diminuir o número de candidaturas que concorriam na eleição.
As chapas que obtêm menos de 1,5% dos votos nessa etapa não podem concorrer no primeiro turno, marcado para 27 de outubro. Já o segundo turno, se necessário, será em 24 de novembro.
As primárias funcionam, assim, como uma prévia, mostrando quanto de apoio cada candidato tem. Além da disputa presidencial, as primárias incluem ainda votos para o Legislativo e para os governos locais.
O resultado oficial, que saiu com mais de uma hora de atraso, surpreendeu porque as pesquisas internas, divulgadas no sábado (10), mostravam uma disputa mais apertada, com Fernández liderando com uma vantagem de 2 a 4 pontos percentuais sobre Macri, uma diferença dentro da margem de erro.
Com a vitória, os oposicionistas foram até o comitê kirchneristas em Buenos Aires comemorar o resultado. O grupo entoou a marcha peronista e dançou cúmbia, apesar do frio de 10 ºC.
Já do lado governista, um otimismo contido do início da noite foi aos poucos dando espaço para a tristeza conforme foi ficando claro que a derrota seria maior que o imaginado.
Às 22h15 (mesmo horário de Brasília), o próprio Macri subiu ao palco de seu comitê, também na capital, para reconhecer a derrota. “Fizemos uma má eleição”, disse ele abraçando seus correligionários. “Ainda há tempo para trabalhar até o primeiro turno”, completou.
Os números exatos do levantamento, porém, ainda não foram divulgados por causa de uma decisão judicial, que permitiu apenas a divulgação de quem está na liderança.
O segredo sobre os números foi uma determinação da juíza federal Maria Servini de Cúbria, em uma tentativa de impedir as confusões registradas em anos anteriores durante a contagem nos votos.
Os problemas em geral ocorriam porque os resultados eram divulgados quase em tempo real, fazendo com que muitas vezes um candidato aparecesse na frente no começo da apuração porque um reduto seu foi contabilizado primeiro. No final, porém, este candidato acabava caindo, gerando indignação nos seus apoiadores.
Foi para evitar isso que a juíza determinou que os resultados oficiais da apuração só poderiam começar a ser anunciados após mais de 10% dos votos serem contabilizados. A expectativa é que isso ocorresse após às 21h (mesmo horário de Brasília) deste domingo, o que não aconteceu.
O governo afirmou que o atraso ocorreu por problemas no sistema que receberia os dados, mas o deputado kirchnerista Felipe Solá acusou a gestão Macri de esconder os números e a oposição ameaçou divulgar sua boca de urna caso os resultados oficiais não sejam divulgados em breve.
Durante o dia, os candidatos e suas militâncias eram puro sorriso e festa. Com roupa esportiva, Fernández saiu logo cedo para passear com seu cachorro, Dylan — estrela de sua propaganda na TV. “Ele não sabe que tem eleição”, riu para os jornalistas.
Macri, como sempre, foi votar em Palermo um pouco mais tarde, por volta do meio-dia. Também exibindo bom humor, fez um pequeno discurso dentro do que permite a lei, que veda propaganda política.
Durante a fala, um grupo de opositores gritava de um canto: “Pode recolher suas coisas que você já vai embora”.
Os dois candidatos a vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, e Miguel Ángel Pichetto (de Macri), votaram em suas províncias, no sul do país — ela em Santa Cruz e ele em Río Negro, ambos na Patagônia.
Em todo o país as votações seguiram de maneira tranquila e não houve informações de falta de cédulas ou de irregularidades graves.
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