Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2019
O premiê Boris Johnson mergulhou o Reino Unido em uma crise constitucional ao anunciar – com aprovação da rainha Elisabeth 2ª – a suspensão das atividades do Parlamento por cinco semanas a partir de 12 de setembro. O objetivo é frustrar os esforços dos parlamentares para deter um Brexit (saída da UE – União Europeia) sem acordo em 31 de outubro.
A suspensão do Parlamento, raramente usada, deve levar opositores dessa estratégia do Brexit a tentar derrubar o governo no Parlamento, numa acentuada escalada das tensões.
A medida foi descrita por John Bercow, presidente da Câmara dos Deputados, como uma “afronta constitucional”. O Financial Times, em editorial, sustentou que a “tentativa de silenciar o Parlamento não tem precedentes na história moderna” do país e pediu que o Parlamento derrube o premiê.
Johnson insiste em que o Reino Unido deixará a UE em 31 de outubro, com ou sem um acordo de saída. Mas a maioria dos parlamentares é contra. Com a suspensão, o Parlamento voltará ao trabalho poucos dias antes da próxima cúpula dos líderes da UE, marcada para 17 de outubro.
Oposição
Boris Johnson está sendo submetido a um bombardeio de críticas por ter prolongado o recesso parlamentar, medida que foi interpretada como uma forma de forçar a separação abrupta entre o Reino Unido e a União Europeia, com um Brexit sem acordo.
Nesta quinta-feira (29), a oposição e membros rebeldes do partido governista, o Conservador, começaram a articular maneiras de evitar a manobra de Johnson. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o maior de oposição, disse nesta quinta que a estratégia será impedir o recesso por meio do voto no Parlamento, que se reúne na semana que vem.
A ideia ganhou o apoio imediato de vários veteranos do Partido Conservador, como David Lidington, ex-secretério de Defesa, David Gauke, ex-secretário de Justiça, e Richard Harrington, que foi vice-secretário da Indústria no governo de Theresa May.
“Semana que vem será a última oportunidade que o Parlamento terá para retomar o controle do processo e garantir que os deputados tenham voz antes de um Brexit sem acordo”, disse Gauke, repetindo o que havia declarado horas antes o ex-chanceler Philip Hammond.
Na Escócia, um grupo de 75 deputados entrou com uma ação judicial para tentar impedir a manobra de Johnson nos tribunais. “Prolongar o recesso do Parlamento é abuso de poder”, afirmou o advogado Aidan O’Neill. Ações semelhantes foram protocoladas em Belfast, na Irlanda do Norte, e em Londres.
A decisão de Johnson também provocou protestos de rua. Manifestações foram registradas nas principais cidades do Reino Unido, as maiores em Manchester, Glasgow, Leeds, Liverpool e Londres – marchas estão sendo programadas para sábado, incluindo o bloqueio de ruas e estradas.
Uma petição contra a manobra parlamentar atingiu nesta quinta 1,5 milhão de assinaturas, bem mais do que as 100 mil necessárias para que o tema seja debatido pelos deputados no Parlamento.
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