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Economia O pagamento de despesas em maquininhas sem fio e sem conexão com a internet começa a deslanchar no Brasil

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Para fazer o pagamento, basta encostar o celular em uma maquininha e esperar a autorização de compra. (Google/Divulgação)

Popularizados há anos em muitos países, os pagamentos por aproximação se preparam para sair de nichos específicos também no Brasil. Se mais de 80% das maquininhas no país já aceitam transações, com a tecnologia NFC (Near-field Communication), que permite a comunicação entre dois dispositivos a poucos centímetros, apenas consumidores com smartphones de alto padrão ou dispositivos “vestíveis” conseguiam fazer pagamentos por meio dela.

Agora, em uma ofensiva de popularização, bancos brasileiros começam a emitir cartões com essa funcionalidade, que também chega a transportes públicos de massa como o metrô do Rio.

O Santander começou a emitir cartões NFC este mês e planeja fechar o ano com 1,2 milhão deles no mercado. A partir de agora, toda renovação de cartões no banco envolverá a troca por uma versão com a tecnologia, o que deve elevar a base para 15 milhões no fim de 2020, diz o superintendente executivo de Cartões do Santander, Rogério Panca.

O Banco do Brasil emitiu cerca de 2,6 milhões de cartões com NFC, este ano, até o fim de outubro. A expectativa do banco é encerrar 2019 tendo emitido 5 milhões de plásticos com a funcionalidade e, em 2020, atingir toda a base de cartões. O banco foi pioneiro no país, lançando um cartão de crédito Ourocard com a tecnologia em 2015. Já o Itaú Unibanco só passou a oferecer cartão com o dispositivo em junho deste ano , em parceria com a Visa e o Mercado Livre.

— Estimamos que, agora, um terço dos novos cartões já está sendo emitido com NFC. Esse movimento começou com os bancos digitais e agora chega nos bancos maiores. Essas instituições estão mais agressivas porque não querem ficar para trás, e essa dinâmica deve acelerar a transformação — explicou Antonio Cerqueiro, sócio da consultoria Bain & Company.

O movimento tira o Brasil do atraso nessa área. Em todo o mundo, 20% das transações presenciais já se dão sem contato, segundo a Mastercard. Até 2022, a expectativa da bandeira é que o mercado cresça 24% ao ano. A difusão é maior nas economias desenvolvidas. Na Austrália, por exemplo, mais de 90% dos pagamentos presenciais da Visa são feitos por aproximação. No Brasil, porém, estima-se que a modalidade represente menos de 1% das transações.

Sem senha

O NFC é a tecnologia mais usada para troca de informações entre aparelhos sem a necessidade de fios ou conexão com a internet. A conexão é feita via radiofrequência, com uma espécie de antena incluída no próprio chip do cartão ou no celular. Enquanto cartões sem NFC precisam ser inseridos na máquina, aqueles com a tecnologia requerem apenas aproximação. No Brasil, o setor de cartões convencionou que pagamentos até R$ 50 não precisam de senhas.

A tecnologia tem vantagens para emissores, consumidores e lojistas. Proporciona mais comodidade, eliminando a chamada fricção. Sem a necessidade de inserção de cartões em terminais de pagamento, o desgaste dos plásticos é mais lento, diminuindo custos de reposição. Além disso, bancos e bandeiras de cartões também se beneficiam do estímulo a um maior volume de transações pelas facilidades do método. Os lojistas vendem mais e ainda ganham mais agilidade no processo de pagamento.

Os pagamentos por aproximação chegaram ao Brasil primeiro por meio das carteiras digitais de smartphones . Elas permitem aos consumidores associar a um aplicativo um cartão de crédito sem NFC e pagar por meio da aproximação de celulares equipados com a tecnologia. O Samsung Pay foi o primeiro, em junho de 2016,, e hoje já aceita cartões de 20 instituições financeiras, segundo Paulo César do Nascimento, gerente do produto da multinacional coreana no Brasil. Desde então, Google e Apple lançaram serviços semelhantes. Mas as soluções ficam restritas aos aparelhos mais caros, limitando o potencial de disseminação dessa modalidade de pagamento.

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