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Geral O Brasil vai ao encontro do clima em busca de dinheiro, mas sem estande oficial no evento

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Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. (Foto: Reprodução/Twitter/@rsallesmma)

O governo Bolsonaro estreia na Conferência do Clima da ONU (COP-25), que começou nesta segunda-feira (2) em Madri (Espanha), sob holofotes internacionais, mas sem um estande para divulgar as ações do país. O mesmo ocorreu na estreia da delegação dos EUA sob o comando de Donald Trump na COP-23, em 2017. Em ambos os casos, organizações da sociedade civil ganham destaque como representantes dos países. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A COP é o espaço no qual os países decidem como vão implementar as regras do Acordo de Paris, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta por meio da redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

Organizado pelo ICS (Instituto Clima e Sociedade) e pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o espaço Hub de Ação Climática Brasileira reunirá eventos organizados por associações do setor privado, universidades, ONGs e empresas brasileiras.

Enquanto o governo Bolsonaro promete levar à conferência propostas de novos mecanismos de financiamento internacional para a conservação ambiental, diplomatas, imprensa e ONGs de todo o mundo devem aumentar a cobrança sobre a execução das políticas do governo.

A pressão aumenta com a acusação feita pela Polícia Civil de brigadistas voluntários terem causado incêndios em Alter do Chão (PA). Organizações internacionais já prepararam manifestos alertando sobre a gravidade da situação para a segurança das comunidades da Amazônia e para a democracia brasileira.

A alta no preço da carne também deve repercutir na COP, já que a pecuária é cobrada pela alta participação nas emissões de gases-estufa.

Por outro lado, ainda se espera cumplicidade ambiental do setor agropecuário brasileiro , que defendeu no início do ano a permanência do Brasil no Acordo de Paris e depende da imagem de comprometimento ambiental para manter exportações para países desenvolvidos.

O aumento de eventos climáticos extremos, como secas severas e inundações, também fragiliza o setor. A produtividade agrícola pode cair em até 17% no mundo, segundo estudo do WRI (World Resources Institute).

O Brasil, um dos que mais podem sofrer economicamente por causa das mudanças climáticas, segundo a pesquisa, já teria instrumentos para responder à crise, como os programas de restauração da vegetação nativa (PlanaVeg) e o programa Agricultura de Baixo Carbono.

O que não está claro, contudo, é o compromisso do atual governo na implementação desses programas, criados em gestões passadas. Esses esforços anteriores têm sido usados como argumento em negociações internacionais para pedir doações para o país.

Em tentativa de demonstrar compromisso do governo com as florestas, Bolsonaro publicou na última sexta (29) um pacote de decretos com a criação de comissão para combater o desmatamento ilegal e a reconstituição da comissão do Redd+ (Redução das Emissões de gases provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal), que havia sido extinta junto a dezenas de outros conselhos em abril.

Não é só por conta das crises ambientais ocorridas durante o governo Bolsonaro (desmatamento, queimadas, vazamento de óleo) que o país deve chamar atenção na COP. Ainda no governo Temer, o Brasil foi responsável por uma pendência na regulamentação do Acordo de Paris. O país bloqueou o final da conferência no último ano por discordar das regras sobre o mercado de carbono.

Nos próximos dias, o principal esforço diplomático será em torno de definir as regras sobre como empresas e países podem negociar internacionalmente seus créditos de carbono —mecanismo que permite a venda do direito de emitir gases-estufa por partes que tenham comprovado redução de suas emissões para além das metas.

A expectativa nos bastidores é de que a diplomacia brasileira chegue a um acordo para garantir que projetos de créditos de carbono inscritos no acordo climático anterior a Paris, o Protocolo de Kyoto, continuem válidos.

Para conseguir isso, o Brasil deve ceder num ponto importante. O país chegou a propor que as reduções de emissões de gases-estufa negociadas em um mercado de carbono internacional não precisassem ser reportadas nas comunicações dos países sobre suas contribuições para o Acordo de Paris.

Com a proposta, feita no último ano, o país ficou isolado e foi acusado de facilitar trapaças e contagem dupla, já que um mesmo esforço de redução de emissão poderia ser contabilizado duas vezes, nos relatórios do país que fez a ação e daquele que comprou o crédito.

Setor privado e ONGs discordam da posição do Itamaraty, que quer deixar de fora do mercado de carbono o setor florestal. Uma das razões para isso está no fato da venda créditos do setor implicar em uma necessidade de aumento dos esforços do governo para redução do desmatamento.

A briga entre as alas ideológica e de mercado do governo Bolsonaro deve se refletir na COP, cuja negociação é comandada pelo Itamaraty em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente.

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