Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de dezembro de 2019
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales está na Argentina na condição de refugiado, informou o ministro argentino das Relações Exteriores, Felipe Sola, nesta quinta-feira (12). Morales esteve anteriormente no México, onde recebeu asilo após o colapso de seu governo, em novembro, em decorrência de uma polêmica reeleição.
A chegada de Morales à Argentina ocorre apenas dois dias depois da posse do novo presidente argentino, Alberto Fernández. Quando Morales renunciou, o então candidato presidencial Fernández disse que foi um “golpe” contra o então presidente.
“Queremos que Evo Morales se comprometa a não fazer declarações políticas na Argentina”, disse Sola, acrescentando que quatro outras pessoas também solicitaram asilo.
Morales renunciou ao cargo de presidente em 10 de novembro, depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) declarou que havia sérias irregularidades no processo eleitoral de 20 de outubro. O Exército o pressionou a renunciar.
O boliviano recebeu asilo no México logo depois de sua saída. Ele viajou a Cuba na semana passada para uma consulta médica, disse um ex-funcionário de seu governo à Reuters na época.
“Tive uma conversa ontem com Evo Morales, que me informou de sua decisão de se mudar para Buenos Aires. Ele agradeceu a generosidade do povo e do governo do México”, tuitou o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, na quinta-feira.
Sola disse que não há reunião planejada entre Morales e Fernández, mas que eles podem conversar por telefone.
Em novembro, Morales foi para o México após deixar a presidência, sob pressão das Forças Armadas bolivianas e em meio a uma onda de protestos por sua questionada reeleição em primeiro turno.
Na última semana, ele viajou para Cuba para uma consulta médica, de acordo com Gabriela Montaño, ex-ministra da Saúde da Bolívia.
Antes da chegada de Evo à Argentina, o jornal “El País” afirmou, segundo fontes, que o objetivo de Evo é ficar mais perto da Bolívia e ter contato direto com os dirigentes do seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS). Os seus dois filhos também deixaram a Bolívia e foram para a Argentina ainda em novembro.
Evo vai ser um refugiado na Argentina, e não asilado político. O motivo para conceder essa condição precisa ser justificado. O refugiado tem mais direitos e obrigações do que o asilado, segundo as normas migratórias argentinas.
Em uma rede social, o boliviano agradeceu aos mexicanos que, segundo ele, salvaram sua vida. “Cheguei agora na Argentina para seguir lutando pelos mais humildes e para unir a pátria grande, estou forte e animado”, disse ele.
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