Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de dezembro de 2019
No Natal do ano passado, a Venezuela devastada teve escassez de tudo, de enfeites natalinos a papel higiênico. Neste ano, o governo socialista deu um presente inesperado ao país cansado: uma dose de livre mercado.
O ditador Nicolás Maduro está tentando se afastar das políticas socialistas que antes regulavam os preços dos produtos básicos, tributavam fortemente as importações e restringiam o uso do dólar. Em consequência, a queda livre econômica da nação sul-americana está começando a desacelerar. A inflação nacional, que ainda é a mais alta do mundo, diminuiu de 1,5 milhão por cento no ano passado para uma taxa anual relativamente branda de 15.000%.
As mudanças podem ser temporárias e equivalem em grande parte a uma espécie de curativo econômico. Não há sinais, por exemplo, de uma estratégia mais ampla para reverter a apropriação de terras agrícolas e o confisco de empresas que ajudaram a criar as bases para uma das piores implosões econômicas dos tempos modernos.
À medida que as novas regras se firmam, entretanto, as prateleiras antes vazias transbordaram de carne bovina, frango, leite e pão, embora a preços tão altos que um segmento significativo da população está na verdade em pior situação.
Os venezuelanos mais endinheirados, porém, estão lotando dezenas de lojas especializadas recém-inauguradas, incluindo pelo menos um falso Walmart, repletas de pilhas de salgadinhos americanos, nacos de presunto italiano e caixas de azeite de oliva Kirkland Signature, na maior parte comprados e enviados à Venezuela em contêineres da Costco e outros atacadistas de Miami.
Maduro permanece em um impasse político com o líder da oposição, Juan Guaidó, e seus apoiadores em Washington, que aumentaram a pressão para forçar a derrubada do presidente. Mas as sanções dos EUA contra a Venezuela não parecem ter prejudicado o aumento das importações, principalmente porque impedem os americanos de fazer negócios apenas com o governo venezuelano, e não com cidadãos privados.
“O governo não conseguiu revigorar a economia de outra maneira, por isso está fazendo o que as pessoas querem” cedendo ao mercado livre, disse Ricardo Cusano, presidente da Fedecamaras, câmara de comércio da Venezuela. Os socialistas ainda estão no poder, disse ele, “mas perderam a guerra ideológica”.
Atormentados pela hiperinflação e pelo colapso econômico, os venezuelanos deprimidos apelidaram essa época em dezembro passado de “Natal sem luzes”, um dia em grande parte desprovido das tradicionais decorações e brinquedos para as crianças.
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