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Por Redação O Sul | 13 de janeiro de 2020
Divulgada nessa segunda-feira pela Fecomércio-RS, a mais recente Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) mostra que 66,2% das famílias gaúchas estão endividadas. Trata-se da quinta redução mensal consecutiva do índice, que leva em consideração pendências financeiras contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de loja, empréstimo pessoal, compra de imóvel ou prestações de carro e de seguros, dentre outros.
Quase 80% dos casos envolvem dívidas com cartão de crédito, prossegue o estudo econômico. Entretanto, chama a atenção o crescimento da participação de carnês nesse tipo de situação, respondendo por 28,9%.
“Muitas lojas trabalham com cartões próprios, em uma versão repaginada dos carnês”, explica o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. “Ao oferecer o crédito sem cobrança de anuidade e uma série de vantagens aos seus consumidores, esse tipo de meio de pagamento costuma cair nas graças do público, o que ajuda a explicar o resultado que vemos na pesquisa.”
A renda comprometida com o pagamento de dívidas em dezembro foi de 29,1%, próximo ao considerado limiar para que os gastos com dívidas não comprometam o consumo presente, evitando, assim, a criação de condições para uma situação de inadimplência. O cartão de crédito permanece, de forma isolada, como o principal meio de endividamento.
O percentual de famílias com conta em atraso aumentou mais uma vez, atingindo 28,0% dos entrevistados. E o percentual de famílias que não terão condições de regularizar nenhuma parte de suas dívidas em atraso no horizonte de 30 dias, que sinaliza o grau de persistência da situação de inadimplência, também registrou nova alta, alcançando 13,1%.
“As novas características do mercado de trabalho, com maior participação de pessoas sem vínculo formal de trabalho, o atraso nos pagamentos do funcionalismo, a falta de educação financeira, entre outras razões, ajudam a explicar a dinâmica da inadimplência. Hoje não temos patamares preocupantes, mas precisamos sempre observar esses números com atenção”, concluiu dirigente.
Brasil
Já em âmbito nacional, o índice de famílias com dívidas em cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e prestação da casa alcançou 65,6% em dezembro. O resultado ficou acima do observado no mês anterior (65,1%).
As famílias inadimplentes, ou seja, com dívidas ou contas em atraso, tiveram um índice menor no Brasil no último mês do ano, na comparação com novembro, passando de 24,7% para 24,5% do total. Já as que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes, representaram 10%, contra 10,2% em novembro.
Apontado como o principal tipo de dívida pelas famílias desde a primeira Peic, feita há dez anos, o cartão de crédito atingiu, em dezembro o seu maior patamar na série histórica, estando presente em 79,8% dos casos de endividamento. Em segundo lugar aparecem os carnês (15,6%) e em terceiro o financiamento de veículo (9,9%).
(Marcello Campos)
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