Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de janeiro de 2020
Com a competição cada vez mais acirrada no mundo digital e o cenário de juros baixos, os grandes bancos enfrentam cada vez mais desafios para manter eficiência e rentabilidade. Entre os caminhos adotados para reduzir custos estão a digitalização de serviços e o fechamento de agências. Desde 2013, os cinco maiores bancos do país — Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander — já fecharam mais de duas mil.
Segundo um levantamento do Dieese e do Sindicato dos Bancários de São Paulo para o jornal O Globo, o número total de agências dessas cinco instituições caiu, em seis anos, de 19.841 para 17.730. A consultoria alemã Roland Berger calcula que esses bancos terão de cortar pelo menos R$ 24 bilhões em custos nos próximos três anos para manter a atual rentabilidade.
Guilherme Vitollo, diretor-executivo de Finanças e Seguros da consultoria, pondera, entretanto, que a estratégia reduz também uma fonte de receita para essas instituições. Isso porque as agências, embora tenham alto custo de manutenção para os bancos, ainda são um canal importante de relacionamento.
— Os clientes ainda usam a agência para pagar boletos, por exemplo, e acabam comprando outros produtos, como um título de capitalização ou seguro. Na prática, fechar agências também é fechar uma fonte de receita — diz o especialista, para quem o principal desafio dos bancos hoje é reestruturar sua rede de agências e capturar nos canais digitais as receitas que ainda vêm das unidades físicas.
Estrutura pesada
O economista João Augusto Salles, especialista no setor bancário, observa que, embora os canais digitais concentrem atualmente 60% das transações financeiras, o grosso da receita dos grandes bancos ainda vem das agências. É no contato pessoal com gerentes que muita gente ainda contrata produtos de crédito, imobiliário ou pessoal, empréstimos, entre outros produtos, diz o economista:
— Arrisco dizer que mais de 80% da receita dos bancos vêm das agências. Por isso, mesmo com custos elevados, os bancos mantêm esse atendimento físico.
Para Guilherme Vitollo, a digitalização precisa ser aprofundada, já que as grandes instituições ainda mantêm estruturas pesadas nas áreas internas, onde muitos funcionários continuam fazendo a conferência de documentos de forma analógica:
— O desafio será como melhorar a captação e venda de produtos na era digital. E os bancos também precisam evoluir no uso da tecnologia.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, em nota, que cada banco tem sua estratégia de corte de custos. Para a entidade, o avanço da digitalização no setor não vai dispensar as agências, que devem adotar cada vez mais um modelo “consultivo” como “um grande diferencial de disputa do mercado”.
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