Terça-feira, 07 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de janeiro de 2020
O consórcio responsável pela construção do Mose, rede de comportas que mira combater as inundações no centro histórico de Veneza, comunicou que a previsão é de que o sistema estará apto a funcionar para “emergências” a partir de 30 de junho.
A data foi anunciada após os representantes do consórcio se reunirem com o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, nesta quarta-feira (22). Durante o encontro, foi decidido que, no início, as comportas poderão ser operadas provavelmente para conter marés até 140 centímetros, embora a altitude e hora exata de funcionamento serão estabelecidas nas próxima reuniões.
Em obras desde 2003, o projeto está previsto para ser concluído em dezembro de 2021, ao custo de 5,5 bilhões de euros, e é constituído de barreiras instaladas nos três acessos da Lagoa de Veneza ao Mar Adriático. As comportas são capazes de resistir a inundações de até três metros.
“A atitude é muito boa. O Mose é um ótimo trabalho para enfrentar as águas altas, mas isso não basta. Conversamos sobre uma série de questões, incluindo o protocolo do lodo, e reiteramos a importância da continuidade do financiamento, a partir da lei especial”, afirmou Brugnaro.
Na semana passada, as autoridades de Veneza chegaram a realizar um teste do sistema Mose com sucesso. Na ocasião, as comportas foram acionadas na Bocca di Lido. Em dezembro, as comportas de Bocca di Malamocco, o acesso principal, já haviam sido testadas.
Para conter as marés de tempestades, 78 comportas metálicas submersas deverão ser instaladas nas três entradas da laguna de Veneza. Elas são retráteis e, quando necessário, sobem até a superfície para evitar que a água do Mar Adriático inunde a cidade. Como o Moisés bíblico, o maior projeto de infraestrutura da Itália deverá – um dia – ser capaz de dividir o mar, dizem os apoiadores da obra.
A próxima fase de testes ocorrerá no dia 3 de março.
Atraso
A princípio, o início de funcionamento estava agendado para 2014. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, prometeu que o Mose deve entrar em operação no início de 2021. “92 ou 93% estão concluídos”, disse Conte.
Quase todas as comportas metálicas amarelas estão ancoradas em sua base de concreto no fundo da laguna. Atualmente, o software e a eletrônica de controle estão em fase de testes. Pouco antes da atual cheia devastadora, outro teste foi agendado, mas foi cancelado devido a inconsistências técnicas.
“Gastou-se muito dinheiro, houve muitas controvérsias e escândalos, mas se considerarmos o todo e tivermos o interesse público em mente, teremos que assumir a decisão de finalizar agora o projeto”, disse o chefe de governo italiano, após visitas a bairros inundados.
Resgate controverso
O atual prefeito de Veneza, Luigi Brugnari, é um claro apoiador do grande projeto Mose. “Se já estivesse concluído, teríamos sido poupados do pior desta vez”, afirmou Brugnari.
No passado, também houve prefeitos que trabalharam contra o projeto. Ambientalistas também alertam que as comportas perturbariam sensivelmente o ecossistema da laguna. Quando os portões estiverem fechados, a troca natural de água é interrompida. A quantidade de oxigênio na água cairia então acentuadamente em torno de Veneza. O número de fechamentos das comportas e sua duração devem, portanto, ser limitados a alguns dias por ano.
Acqua Alta
A maré alta registrada em uma noite de novembro de 2019 em Veneza deixou a cidade mergulhada em uma situação de caos, como em 1966, quando l’acqua granda de 194 centímetros a alagou e provocou sérios danos no patrimônio arquitetônico e artístico.
O governador da região, Luca Zaia, do partido direitista Liga, falou em “devastação apocalíptica”.
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