Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de março de 2020
O Dia Internacional da Mulher é celebrado em 8 de março e com a aproximação da data cresce a procura por ideias de “lembrancinhas” para presentear mães, namoradas e amigas. Nos últimos anos, no entanto, cada vez mais mulheres têm questionado a distribuição de flores e bombons nessa data, que se fortalece como um momento significativo para o movimento feminista e é marcada por diversas manifestações pelo mundo.
O problema não está em dar presentes, mas sim no consequente apagamento da luta histórica das mulheres por direitos e oportunidades igualitárias. Existe outra forma pela qual os homens podem prestar suas homenagens: apoiando a equidade de gênero por meio de atitudes e posicionamentos no cotidiano. Que tal aproveitar a data para refletir sobre eles?
Para a antropóloga Debora Diniz, o lugar dos homens na luta pela igualdade é decisivo e essencial para que ela de fato aconteça.
“Cabe aos homens manter permanentemente a voz sobre a igualdade de gênero ao lado das mulheres, porque elas não vão reescrever sozinhas as normas naturalizadas de desigualdade. É um lugar de atenção e combate aos privilégios do patriarcado e de todas as marcas indevidas da masculinidade e do machismo.”
A pesquisadora explica que a questão do lugar de fala faz com que muitos homens acreditem não ter espaço nessa causa, mas defende que todos aqueles que usufruem de algum privilégio têm também o dever de estar ao lado dos que não são favorecidos.
“Muitos vão afirmar ‘eu não sou mulher, então não tenho nada a dizer.’ Eu diria exatamente o contrário. Quanto mais privilégio nós temos, maior nosso dever de falar junto. O homem não tem o mesmo lugar das mulheres, mas ele tem um papel de pensar a masculinidade. Assim como é meu papel como mulher branca pensar o racismo e a branquitude, cabe aos homens se questionarem sobre como o patriarcado oferece privilégios indevidos e onde eles, talvez inadvertidamente, tiram proveito disso.”
Maíra Liguori, diretora da organização Think Olga, concorda que essa luta precisa envolver também os homens, que podem ajudar apoiando e reconhecendo sua importância, além de identificar e abrir mão de privilégios. Ela menciona a existência de uma confusão muito comum, que contribui para o afastamento deles, de que o feminismo seria o contrário do machismo.
“O machismo é um sistema em que o homem se coloca na sociedade de forma superior à mulher. Já o feminismo parte da igualdade de oportunidades. A gente está falando de equidade, na verdade, para que cada um tenha as mesmas oportunidades de executar tarefas e se colocar na sociedade de igual para igual: homens e mulheres, com as mesmas possibilidades.”
Ela afirma ser importante abrir espaço para as pessoas que queiram colaborar e participar da mudança, mas ressalta ser fundamental que eles não tirem o protagonismo feminino. Ela cita como exemplo as empresas que contratam homens para palestrar aos funcionários nessa data.
“A luta feminista é sobre mulheres, brancas e negras, que ocupam um lugar de opressão na sociedade, e vem para colocá-las em posição de equidade em relação aos homens. No dia 8 de março muitas mulheres atuam nesse sentido e os homens não são agentes da transformação da luta feminista nesse momento. Eles têm outra transformação em curso que é a de olhar para a masculinidade. Se a gente tira o lugar da mulher e minimiza seu conhecimento para colocar um homem falando de suas dores, estamos reafirmando o status quo e não mudamos nada.”
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