Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de março de 2020
Três brasileiras que salvaram a vida de um homem que estava prestes a morrer afogado em uma piscina foram homenageadas em Vancouver, no Canadá, pela eficiência no resgate. O indiano Saurabh Kalra, de 36 anos, passou seis minutos embaixo da água e teria morrido se não fosse a forma como as mulheres realizaram o salvamento, segundo os paramédicos que atenderam o caso.
No sábado (7), Flavia Mandic, Flavia Donato, 41, e Juliana Ferreira, 43, receberam medalhas oferecidas pela Lifesaving Society of British Columbia, em um evento da Commonwealth, a associação de países membros da Coroa Britânica. A honra é normalmente concedida apenas a profissionais de resgate, como policiais, bombeiros e salva-vidas.
As brasileiras foram indicadas pelos próprios paramédicos do caso, que ficaram impressionados. Segundo Juliana, ao chegarem ao local, eles questionaram quem tinha ajudado as três a retirar Kalra da piscina, já que foram necessários cinco deles apenas para tirar a vítima do chão e colocar na maca.
“Eles não acreditaram que fomos apenas nós. Porque ele estava muito inchado e inerte, então ficou muito pesado. Além disso, quando saiu da água, ele já não tinha mais batimentos cardíacos. Se não fosse a massagem cardíaca e os primeiros-socorros prestados pela Mandic – que é enfermeira – ele com certeza não teria sobrevivido até a chegada da ambulância, nos disseram”, explica Juliana.
O feito das brasileiras ganhou destaque na imprensa canadense porque, embora as técnicas de primeiros-socorros e reanimação, conhecidas como CPR na sigla em inglês, sejam ensinadas em diversos locais no país, as pessoas não costumam saber como aplicar e é raro alguém usar para salvar uma pessoa em caso de acidente.
“Nossa história acabou servindo como exemplo, usaram para incentivar as pessoas a aprenderem e colocarem em prática as técnicas”, diz Juliana.
Afogamento
Juliana, que mora no condomínio onde o caso aconteceu, é personal trainer, e estava orientando os exercícios das duas amigas, uma delas também sua vizinha. Ela lembra que era um sábado atípico em novembro do ano passado, já que elas não costumam treinar nesse dia da semana. “A Flavia Mandic teve algum problema no hospital naquela semana e pediu para fazermos o treino no sábado”, conta.
As três estavam na academia do prédio, que tem revestimento em vidro, mas de costas para a piscina. Outra moradora, que usava a esteira e estava de frente, disse então que havia um homem no fundo da água.
Juliana admite que acreditou que iria retirar o corpo de alguém já morto, porque Kalra estava totalmente inerte, no fundo de uma área com mais de dois metros de profundidade, havia aparentemente um bom tempo. Ela, que já foi nadadora profissional, era a única das três que sabia nadar bem, mas ainda assim teve medo de se afogar durante o resgate, por causa do peso da vítima e da agitação durante a operação.
Quando finalmente conseguiram tirar o vizinho da piscina, ele não respirava e não dava qualquer sinal de vida. Apenas depois de alguns minutos de massagem cardíaca ele “fez um barulho” e expeliu água, e elas tiveram certeza de que ainda estava vivo, embora inconsciente.
Mesmo após a chegada dos paramédicos, o estado de Kalra foi considerado muito grave, e não havia garantias de que sobreviveria. Só após a análise de imagens das câmeras de segurança foi possível calcular quanto tempo ele ficou embaixo da água e descobriu-se que foram seis minutos.
“Entre ele ficar submerso e dar o primeiro sinal de vida foram dez minutos”, diz Juliana.
Kalra só acordou no hospital depois de quatro dias e, surpreendentemente, não apresentou sequelas, apesar de todo o tempo em que ficou sem oxigenação no cérebro.
O reencontro com as resgatistas aconteceu alguns dias depois e foi comovente, segundo Juliana.
“Depois de uns oito dias ele entrou em contato e pediu para nos agradecer. Marcamos um café na casa da Flavia, ele foi com a família dele, levou flores e uma carta muito linda. Todos nós nos abraçamos, choramos, foi muito emocionante”, lembra.
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