Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de março de 2020
Medalhista olímpica e membro do conselho do JOC (Comitê Olímpico Japonês), Kaori Yamaguchi pediu que os Jogos Olímpicos de Tóquio sejam adiados. Ela defende que em meio a pandemia do coronavírus os atletas não têm mais tempo de se prepararem de modo adequado até a abertura do evento, programado para dia 24 de julho.
Yamaguchi, que ganhou uma medalha de bronze no judô nos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, disse que vai ressaltar este ponto em uma reunião do conselho do JOC, marcada para 27 de março.
“As Olimpíadas não devem ocorrer em uma situação que as pessoas no mundo não possam desfrutar. Até onde eu sei, atletas dos Estados Unidos e da Europa não conseguem treinar normalmente e não conseguiram concluir seus torneios classificatórios. Isso torna impossível que eles se apresentem bem nas Olimpíadas – sem contar todos os riscos pelos quais estão passando”, alertou Yamaguchi ao jornal Nikkei.
A ex-judoca se manifestou em apoio aos comentários feitos por Hayley Wickenheiser, membro do COI (Comitê Olímpico Internacional), que na terça-feira (17) disse que a decisão de continuar com os Jogos de “insensível e irresponsável”.
“Esta crise é maior do que os Jogos Olímpicos. Os atletas não podem treinar nem fazer planos de viagem”, disse Wickenheiser, que representou o Canadá em cinco edições de Olimpíadas, em suas redes sociais.
Alerta
Bicampeão olímpico e atual presidente da IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo), Sebastian Coe falou em entrevista à rádio BBC sobre os efeitos do coronavírus no esporte mundial, bem como na organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
Segundo ele, ainda não é necessário tomar um decisão sobre a realização da Olimpíada na data prevista. Para o britânico, é preciso cautela, especialmente faltando quatro meses da competição. Mas ao dizer que “tudo é possível no momento”, Coe reconheceu a possibilidade de mudar a data dos Jogos para 2021 e alertou: “Isso parece superficialmente uma proposta fácil”.
E o ex-atleta tem experiência para tratar do tema, já que foi presidente da Olímpica de Londres 2012. Para ele, qualquer alteração no calendário olímpico pode gerar um efeito “dominó”.
“As federações internacionais, na verdade, evitam anos olímpicos com frequência para ter seu campeonato mundial. O atletismo tem seu campeonato mundial nessa data (2021). O campeonato europeu de futebol foi adiado. O calendário esportivo é uma matriz complicada e não é simples facilitar um evento de um ano para o outro. Seria ridículo dizer que algo está descartado no momento. O mundo inteiro quer clareza; não somos diferentes de nenhum outro setor”, disse.
Tocha Olímpica
A tocha olímpica já está nas mãos dos japoneses. Nesta quinta-feira (19), a chama que é símbolo das Olimpíadas foi entregue pelos gregos ao Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio 2020. Por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a cerimônia de passagem do fogo olímpico, porém, teve de ser realizada com portões fechados, sem a presença do público.
“Esperamos que a chama olímpica, um símbolo de paz e solidariedade, vai extinguir o vírus e derrotá-lo. E então o Movimento Olímpico, unido e livre desse inimigo cruel, vai se reunir em Tóquio para celebrar o maior evento esportivo de todo mundo, que é a Olimpíada “, disse Spyros Capralos, presidente do Comitê Olímpico da Grécia.
Seguindo o tradicional protocolo da tocha olímpica, a chama foi acesa pelos gregos na cidade de Olímpia, também em uma cerimônia sem público. O fogo dos Jogos iria circular pela Grécia por uma semana, mas o revezamento no país foi cancelado na última sexta (13), quando centenas de pessoas se aglomeraram em Esparta para acompanhar a largada do revezamento, contrariando as orientações de combate ao coronavírus.
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