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Economia A Petrobras reduz jornada e salário de 21 mil empregados

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Petrobras classifica a crise do setor como a mais grave em um século. (Foto: Sergio Moraes/Reuters)

A Petrobras vai diminuir ainda mais sua produção de petróleo e reduzir a jornada e o salário de 21 mil funcionários entre abril e junho. A medida atinge quase metade da força de trabalho da estatal, que tem 47 mil empregados. A Petrobras vai suspender ainda o pagamento de até 30% do salário de funcionários com cargos de gerência e supervisão, informou a companhia nesta quarta-feira.

A jornada de trabalho diária das categorias atingidas pela medida será reduzida de oito para seis horas, com redução proporcional da remuneração nos próximos três meses, informou a estatal.

As medidas são para fazer frente à queda de receita decorrente do tombo no preço do petróleo, alegou a Petrobras. O objetivo é alcançar a redução de US$ 2 bilhões nos gastos da empresa em 2020 com o objetivo de enfrentar o que classifica como “a pior crise da indústria do petróleo nos últimos cem anos”.

Já a BR Distribuidora, privatizada no ano passado, mas que ainda tem a estatal como sua maior acionista, pretende adiar pagamento de dividendos a acionistas.

De acordo com a Petrobras, a redução da jornada de trabalho e do salário de parte dos funcionários e a suspensão do salário de empregados em funções gratificadas vão permitir à empresa poupar cerca de R$ 700 milhões com despesas de pessoal em três meses.

Haverá redução temporária da jornada de trabalho, de oito horas para seis horas, de cerca de 21 mil empregados em regime administrativo, com proporcional corte nos salários entre abril e junho. A empresa informou ainda que adotou a mudança temporária de regimes de turno e de sobreaviso para regime administrativo de cerca de 3,2 mil empregados.

No caso dos gerentes, supervisores, consultores e coordenadores, haverá o adiamento de 10% a 30% da remuneração mensal. Na semana passada, a estatal já havia anunciado a suspensão do pagamento de 30% da remuneração total do presidente, diretores, gerentes executivos e gerentes gerais.

A Petrobras ressaltou que os empregados em regime administrativo trabalharão por menos horas e a sua remuneração manterá o mesmo valor por hora trabalhada. A companhia destacou que essa é uma medida temporária, prevista por três meses.

Já no caso dos gestores, como é comum eles ficarem à disposição da companhia permanentemente durante todo o dia, particularmente em momentos de crise, foi adotada a redução temporária da remuneração com postergação do pagamento, justificou a companhia.

Sindicatos consideram medida ilegal

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e os 13 sindicatos filiados consideram que a Petrobras age de forma ilegal ao decidir reduzir jornada e salário de forma unilateral. Segundo Tezeu Bezerra, coordenador do Sindipetro Norte Fluminense, a negociação anterior com funcionários está prevista no acordo coletivo da categoria.

Ele acusa a estatal de desrespeitar acordo coletivo da categoria em uma série de medidas desde o início da crise do coronavírus sem acordo com os sindicatos, como mudanças nas escalas de turnos:

A Petrobras passa por cima de todas a leis para tentar cortar custo com pessoal. A redução da jornada de trabalho com redução de salário tem de ser acordada entre o trabalhador e a empresa, então não tem nenhuma situação que dê permissão para a Petrobras fazer isso de forma unilateral. A Petrobras muda as coisas de forma unilateral o tempo inteiro, como foi na questão dos turnos nas plataformas ou na mudança de parte do pessoal de turnos para horário administrativo. E isso tudo vai virar passivo judicial no futuro.”

A Petrobras diz que todas as suas medidas estão em conformidade com os preceitos legais.

Ainda segundo a companhia, o corte total na produção será de 200 mil barris diários, incluindo a redução de cem mil barris já anunciada no último dia 26. Em janeiro, a empresa produziu 2,3 milhões de barris por dia. Para decidir quais campos sofrerão cortes na produção, a Petrobras informou que analisará condições mercadológicas e operacionais. A produção das refinarias também estão sendo adequadas à demanda por combustíveis. As informações são do jornal O Globo.

 

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