Quinta-feira, 28 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil A Polícia Federal tem clima tenso após saídas de Sérgio Moro e Maurício Valeixo

Compartilhe esta notícia:

A polícia chegou até o local após uma denúncia anônima. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O clima na Polícia Federal (PF) é de preocupação após a exoneração do agora ex-diretor-geral Maurício Valeixo e o consequente pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Há risco de reação interna com a chegada do novo indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. O mais cotado para assumir a PF é o delegado Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Policiais federais preveem um ambiente mais difícil para a condução dos trabalhos diante de um cenário que sugere a intenção do presidente de interferir na autonomia do órgão. Delegados ouvidos pelo GLOBO também demonstram apreensão com as operações de combate à corrupção e dizem que a mudança do diretor-geral e do ministro afeta a credibilidade dos trabalhos da instituição.

“Esta manobra do presidente para controlar a PF acaba com nosso apoio ao governo. Se Bolsonaro mantiver o que tem dito e o novo diretor for alguém que o proteja, estará sujeito à insubordinação e haverá dificuldade para controlar o órgão”, afirma, sob sigilo, um agente que participou de várias operações recentes de combate à corrupção.

Tentativas veladas de interferência na PF não são uma novidade e já foram relatadas em governos anteriores. No entanto, o ímpeto de enfraquecer abertamente a atuação de órgãos de controle e combate ao crime é visto como inédito por policiais e agentes públicos.

Sob Bolsonaro, o Ministério da Justiça perdeu o controle do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que combate a lavagem de dinheiro, numa das maiores derrotas de Moro. Também acabou com a tradição de nomear o Procurador-Geral da República eleito em lista tríplice por integrantes do Ministério Público Federal, além de interferir na troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O receio não se resume a agentes da PF. Reservadamente, membros do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo e Curitiba afirmam que a queda de Sergio Moro do Ministério da Justiça foi a gota d’água diante de uma série de atos do governo Bolsonaro para tirar poder dos órgãos de fiscalização e controle.

Procuradores se preocupam com o futuro do combate à corrupção no país, com o risco de interferência em investigações sigilosas e citam uma série de medidas do governo que, segundo essa avaliação, prejudicam operações como a Lava-Jato.

“A saída de Moro é o ápice de um movimento que o governo tem feito desde que assumiu para sistematicamente tirar poder dos órgãos de controle. A verdade pura e simples é que o presidente quer ter acesso a investigações sigilosas e controlar órgãos de persecução penal. É algo que só ocorre em ditaduras”, diz um procurador da República.

Outro membro do MP faz coro ao sustentar que Bolsonaro quer interferir em investigações sigilosas.

“Ele (Bolsonaro) não quer respeitar as limitações constitucionais. Existe uma tentativa de aparelhamento para apadrinhamento de interesses escusos de pessoas investigadas que fazem parte do seu núcleo familiar”, afirma o procurador.

Um membro do MPF paulista afirma que uma das reações diante da interferência do governo será a redução do acesso da PF a fatos sigilosos, pois o órgão não goza de autonomia como o Ministério Público e estará mais suscetível a nomeações por critérios políticos.

“Agora, é tornar o acesso mais restrito. Quanto menos delegados tiverem acesso aos fatos, melhor”, diz.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Nas horas que antecedem sua decisão de deixar o governo, Sérgio Moro foi alvo de pressão e conselhos
Regina Duarte explica a sua ausência em fala de Bolsonaro
Pode te interessar