Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2020
O governador João Doria (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (6) que o estado de São Paulo chegou a 3 mil mortos, decretou luto e atacou o presidente Jair Bolsonaro por dar mau exemplo à população.
As declarações foram dadas no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
O Estado atingiu 3.045 mortos nessa quarta, com 194 novas mortes, um crescimento de 7%. Além disso, São Paulo chegou a 37.853 casos confirmados, um aumento de 10%.
“Lamentavelmente, ultrapassamos 3 mil mortos com coronavírus. O maior volume da história de São Paulo em todos os tempos de mortos, numa circunstância onde em menos de 60 dias 3 mil vidas foram perdidas. Em respeito a suas famílias e aos amigos que perderam suas vidas, amanhã [quinta-feira, 7] o Diário Oficial virá com decreto de luto oficial perdurando enquanto a crise do coronavírus e a pandemia perdurar”, disse.
O isolamento social foi de 47%, abaixo do esperado pelo governo. Questionado se o anúncio precoce da flexibilização da quarentena não influenciou nesses números, Doria culpou Bolsonaro.
“O que tem estimulado lamentavelmente a conduta das pessoas é o comportamento errático do presidente do Brasil, que dando maus exemplos todos os finais de semana sai para fazer passeios na Esplanada dos Ministérios ou em cidades-satélite de Brasília, negando a ciência, a orientação do isolamento e dando um péssimo exemplo aos brasileiros”, disse.
Apesar das críticas a Bolsonaro, Doria elogiou o ministro da Saúde, Nelson Teich, por ir ao Amazonas verificar a situação do Estado.
No atual patamar de isolamento, a administração estadual teme que o sistema de saúde paulista não aguente a demanda. Segundo o governo, a ocupação da UTI no Estado é de 67,2% e, na Grande São Paulo, de 86,6%.
Perguntado se a PM (Polícia Militar) fiscalizará o uso obrigatório de máscaras, Doria afirmou que a função será feita pelos prefeitos. “Apenas em caso extremo, se necessário, com apoio da PM, mas não será tarefa da PM nem na capital e nem em nenhuma outra região do Estado”, disse.
O tucano repercutiu entrevista da Folha de S.Paulo com o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), que cobrou empatia de Doria. Ele afirmou que espera que o governador confie mais na avaliação dos prefeitos do Estado e anuncie nesta sexta-feira (8) o início da flexibilização da quarentena — do contrário, diz, será difícil manter o isolamento, porque a população já está esgotada.
“Não estou preocupado nem com empatia nem com simpatia, estou preocupado em proteger vidas”, disse Doria.
O governador também fez anúncios relacionados à pandemia. Entre eles, está uma força-tarefa da Polícia Civil para emissão de documentos para moradores de rua, de modo que eles possam ter acesso ao auxílio emergencial do governo federal.
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