Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de setembro de 2015
O delator Julio Camargo recebeu ao menos 266 milhões de reais em valores nominais nos negócios que intermediou na Petrobras, montante muito superior à multa definida pela força-tarefa da Lava-Jato em seu acordo de colaboração, 40 milhões de reais.
A soma leva em conta comissões admitidas por Camargo em seus depoimentos. O valor total recebido por ele, no entanto, é superior – há três casos em que o lobista admitiu ter recebido comissões, mas não revelou quanto.
A diferença entre os ganhos e a multa pode ser explicada por um dos critérios usados pela força tarefa ao fazer acordo de delação: o potencial que o delator tem de ajudar a recuperar ativos ao revelar detalhes e pessoas do esquema.
Oficialmente, procuradores não confirmam que esse foi o caso. Em nota, o Ministério Público diz que “o estabelecimento dos valores [das multas] faz parte de um processo de negociação referente a cada caso” e que não comenta cada negociação.
O criminalista Antonio Figueiredo Basto, que assumiu a defesa de Camargo após a saída de Beatriz Catta Preta, afirma que os ganhos com comissões são, em parte, legítimos. “Nem tudo o que ele fez na Petrobras é ilegal”, diz. “O Julio já foi punido demais, e a multa é desproporcional.” (Folhapress)
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