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Por Redação O Sul | 21 de maio de 2020
Passados pouco mais de dois meses do início da pandemia do coronavírus no Brasil, 113 médicos morreram vítimas da doença. É uma média de quase dois profissionais por dia desde que o primeiro óbito foi registrado, em 16 de março. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de vítimas no período: 30 médicos perderam a batalha contra a Covid-19. O Pará, com 27, e São Paulo, com 26, aparecem logo em seguida no ranking. Há ainda casos em Pernambuco (6), Amazonas, Minas Gerais e Paraíba (4 cada), Ceará e Rio Grande do Norte (3 cada), Paraná e Bahia (2 cada), além de Alagoas e Santa Catarina (1 cada).
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil teve 31.790 casos de profissionais da saúde confirmados para Covid-19. Outros 114 mil casos estão sob investigação. O Brasil é ainda o país onde mais morrem enfermeiros no mundo por conta da epidemia. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem, 143 enfermeiros foram vítimas da Covid-19 e há 16.064 casos confirmados. O Estado com mais mortes é também o Rio de Janeiro (36), seguido por São Paulo (32). No último dia 12, Dia Internacional da Enfermagem, profissionais da categoria fizeram atos em cidades como Rio de Janeiro e Brasília, em homenagem aos colegas perdidos e reivindicaram melhores condições de trabalho para a categoria.
Levantamento feito pelo jornal O Globo junto aos conselhos regionais de medicina nos Estados e a sindicatos da categoria, mostra que, do total de vítimas, pelo menos 27 óbitos, o equivalente a 30%, foram de médicos que estavam no grupo de risco para a doença e tinham mais de 60 anos. No entanto, esse número pode ser maior, já que nem todos os conselhos regionais de medicina informaram a idade dos profissionais mortos.
O número é similar ao de outros países duramente atingidos pelo surto do novo coronavírus. Em um estudo publicado na última sexta-feira na revista de Medicina Ocupacional da Universidade de Oxford, quatro pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos encontraram registros das mortes de 121 médicos na Itália, um dos focos iniciais da doença.
A pesquisa foi feita por meio de pesquisas realizadas no dia 15 de abril em buscas com termos ligados à morte de médicos em inglês, farsi e chinês. Ao todo, os cientistas encontraram 278 registros de mortes.
“A falta de equipamento de proteção individual (EPI) e EPIs inadequadas foram citadas como a causa de morte especialmente em nações em desenvolvimento e na Itália”, diz a pesquisa.
Até aquela data, outros países duramente atingidos como Estados Unidos e Reino Unido registraram 12 e 11 mortes de médicos, respectivamente, segundo a pesquisa. Na busca, realizada há um mês, os cientistas tinham encontrado apenas dois registros de mortes de médicos no Brasil.
“Reconhecemos as limitações do artigo. O número de mortes de médicos por Covid-19 provavelmente é subnotificada dados nossos critérios para comprovação de infecção, as rápidas mudanças de curso da pandemia e porque o número de mortes em âmbito nacional pode não estar disponível ou precisa se nem todos os pacientes são testados”, afirmaram os pesquisadores. As informações são do jornal O Globo.
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