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Brasil O delegado federal da operação contra o senador José Serra cobrou na internet o avanço da Operação Lava-Jato para além do PT

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Senador do PSDB foi alvo de operações da PF sobre suposto caixa 2. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O delegado da Polícia Federal (PF), Milton Fornazari Júnior, responsável pela abertura do inquérito que resultou na operação de terça-feira (21) cujo alvo foi o senador José Serra (PSDB-SP), perdeu o posto na Operação Lava-Jato em 2018 após publicar uma mensagem em suas redes sociais com a cobrança de que a operação avançasse sobre líderes políticos de colorações partidárias para além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, ele foi transferido para a área de crimes eleitorais.

“Lula preso. Objetivamente ele recebeu bens, valores, favores e doações p (sic) seu partido indevidamente, por empresas q (sic) se beneficiaram da corrupção em seu governo. Por isso merece a prisão. Agora é a hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio, etc.)”, escreveu Fornazari na época.

Na terça, Fornazari participou da coletiva de imprensa realizada após a Operação Paralelo 23, nova fase eleitoral da Lava-Jato que mirou Serra por suposto caixa dois de R$ 5 milhões nas eleições de 2014.

O delegado abriu o inquérito com base na delação do empresário Elon Gomes de Almeida, que contou que Serra teria recebido a quantia do fundador da Qualicorp, José Seripieri Junior, por meio de repasses em “estrutura financeira e societária” cujas transferências foram ocultadas da Justiça Eleitoral. Juristas críticos à operação desta terça afirmam que a delação é vaga e tem provas frágeis.

Nota

O senador José Serra (PSDB-SP) chamou de “espetacularização” a operação da Polícia Federal que fez buscas e apreensões em seus imóveis. Serra também negou irregularidades em suas contas da campanha ao Senado. De acordo com as investigações, a campanha recebeu R$ 5 milhões que não foram contabilizados.

Segundo investigadores, o dinheiro não-contabilizado foi passado à campanha de Serra como doação e se originou de operações financeiras e societárias simuladas, para ocultar a fonte.

“José Serra lamenta a espetacularização que tem permeado ações deste tipo no país, reforça que jamais recebeu vantagens indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos. Importante reforçar que todas as contas de sua campanha, sempre a cargo do partido, foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, disse nota divulgada pela assessoria do senador.

A nota também afirmou que o senador foi “surpreendido” com a operação “abusiva”. Os endereços de Serra já haviam sido alvos de busca e apreensão há 20 dias, em outra operação.

“O senador José Serra foi surpreendido esta manhã com nova e abusiva operação de busca e apreensão em seus endereços, dois dos quais já haviam sido vasculhados há menos de 20 dias pela Polícia Federal. A decisão da Justiça Eleitoral é baseada em fatos antigos e em investigação até então desconhecida do senador e de sua defesa, na qual, ressalte-se, José Serra jamais foi ouvido”, afirmou o texto.

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