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Brasil A Operação Lava-Jato prendeu um operador de propinas do PSDB e fez buscas em um endereço ligado ao ex-ministro Aloysio Nunes

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Paulo Preto é ex-diretor da Dersa e suposto operador do PSDB. Ele é suspeito de operar propinas da Odebrecht. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
Paulo Vieira de Souza, operador financeiro ligado ao PSDB, foi preso em São Paulo nesta terça-feira (19), na 60ª fase da Operação Lava-Jato. Alvo de prisão preventiva, ele deve ficar preso na Superintendência da PF (Polícia Federal) de São Paulo. Agentes também cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-senador pelo PSDB Aloysio Nunes Ferreira Filho, suspeito de receber propina da Odebrecht.

Chamada “Ad Infinitum”, a 60ª fase da Lava-Jato cumpre 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo. Além dos mandados, foram bloqueados ativos financeiros dos investigados. A operação é feita com base em depoimentos de doleiros e funcionários da Odebrecht em fases anteriores da Lava-Jato.

O advogado de Paulo Vieira de Souza, André Gerheim, informou que “não teve acesso a qualquer documentação” e não vai comentar. Paulo Vieira de Souza já foi indiciado em outras fases da Lava-Jato.  Ex-senador e ex-chanceler do governo Michel Temer, Aloysio foi nomeado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para a presidência da Investe SP, agência de promoção de investimentos de São Paulo.

O que é investigado

Paulo Vieira de Souza é apontado como peça-chave na lavagem de milhões de reais em favor da Odebrecht. O dinheiro era repassado ao chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

O esquema investigado operou entre 2010 e 2011, para que a empreiteira desse dinheiro a campanhas eleitorais e pagasse propina a agentes públicos e políticos no Brasil. Ao todo, Paulo Vieira de Souza disponibilizou R$ 100 milhões em espécie a Adir Assad, um dos operadores do esquema. Assad, por sua vez, repassava o dinheiro ao doleiro Álvaro Novis, que realizava os pagamentos a agentes públicos e políticos, a mando da Odebrecht.

A investigação aponta uma transação de 2007, quando a Odebrecht transferiu € 275.776,04 para a conta de Paulo Vieira de Souza. A transferência foi feita por intermédio da offshore Klienfeld Services Ltd. A apuração identificou que, no mês seguinte à transferência, foi emitido um cartão de crédito em nome de Aloysio Nunes Ferreira, vinculado à conta de Paulo Vieira de Souza. O banco foi orientado a entregar o cartão de crédito no Hotel Majestic Barcelona, na Espanha, onde o Nunes estava hospedado.

A operação desta terça-feira aprofunda investigação de um esquema de lavagem de dinheiro de corrupção praticada pela Odebrecht. Gerentes e dirigentes da Petrobras receberam dinheiro em espécie da empreiteira, segundo o MPF (Ministério Público Federal).

Apartamento para guardar dinheiro

De acordo com o procurador do MPF Roberson Henrique Pozzobom, Paulo Vieira de Souza mantinha um apartamento somente para guardar o dinheiro em espécie. O procurador comparou o local com o imóvel que o ex-ministro Geddel Vieira Lima usava para guardar notas de reais. “Podemos dizer que o bunker de Paulo Preto tinha o dobro do dinheiro encontrado no apartamento de Geddel”, afirmou Pozzobom.

De acordo com o MPF, as delações do operador Adir Assad deram detalhes sobre o imóvel e a forma como o dinheiro era acondicionado no local. Ele explicou, por exemplo, que um dos cômodos era úmido e Paulo Vieira de Souza precisava colocar as notas de dinheiro para “tomar sol” para secar. Segundo o procurador, o volume de dinheiro em espécie era tão grande que eles foram retirados do imóvel pelos operadores em vans.

Paulo Vieira de Souza

Paulo Vieira de Souza foi diretor da Dersa, a empresa de rodovias de São Paulo. Ele já havia sido preso em maio de 2018 e em abril do mesmo ano, e nas duas ocasiões, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou libertá-lo por não ter verificado risco às investigações.

Ele usa tornozeleira eletrônica após decisão da Segunda Turma do STF. Ele é suspeito de participar de desvios de dinheiro nos governos do PSDB em São Paulo entre 2009 e 2011, de José Serra e Geraldo Alckmin. Em São Paulo, o ex-diretor da Dersa responde a duas ações do Ministério Público Federal.

Aloysio Nunes Ferreira Filho

Aloysio Nunes Ferreira Filho é ex-senador pelo PSDB e ex-chanceler do governo Michel Temer. O ex-senador é suspeito de receber ilegalmente R$ 500 mil do grupo Odebrecht para financiar sua campanha para o Senado em troca de favores políticos. O STF autorizou a investigação contra ele, após pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Ad Infinitum

O nome da operação remete ao fato de o caso parecer tratar de mais uma repetição do modo de atuação de alguns integrantes da organização criminosa, remetendo a um ciclo criminoso que nunca termina.

Ao todo, 46 agentes da PF cumprem os mandados em dez locais, nas cidades de São Paulo, São José do Rio Preto, Guarujá e Ubatuba, todas em São Paulo. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba-PR. A operação é feita em cooperação com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

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