Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2021
O imunizante é o único no mundo aplicado em apenas dose
Foto: Janssen/DivulgaçãoA Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quarta-feira (31), por unanimidade, o pedido de uso emergencial da vacina contra a covid-19 da farmacêutica Janssen, empresa do grupo Johnson & Johnson.
O imunizante é o único no mundo aplicado em apenas dose. Segundo a Anvisa, ele apresentou eficácia de 66% contra casos moderados e graves da doença. O nível de proteção foi de 85% só contra casos graves.
A vacina da Janssen, que pode ser mantida entre 2ºC e 8ºC por até três meses, já foi aprovada para uso emergencial nos EUA e pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Na União Europeia, teve registro liberado de forma condicional.
O laboratório solicitou o pedido de uso emergencial no Brasil em 24 de março. Antes, em janeiro e fevereiro, a Anvisa concedeu os certificados de Boas Práticas de Fabricação ao imunizante.
“Temos que considerar que é mais uma vacina que se soma à disponibilidade brasileira, o que coloca o País em uma posição de destaque no mundo, entre aqueles que mais vacinas tem aprovadas em seu território”, disse o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.
Como funciona
A vacina é baseada em um vetor viral recombinante que usa um adenovírus humano para expressar a proteína S do SARS-CoV-2. Ou seja, ela usa um vírus do resfriado comum que foi desenvolvido para ser inofensivo. Em seguida, carrega parte do código genético do coronavírus para o corpo, mas de maneira segura.
Isso é suficiente para o corpo reconhecer a ameaça e, então, aprender a combater o coronavírus. O mecanismo “treina” o sistema imunológico para lutar contra o coronavírus quando encontra o vírus de verdade. O processo é semelhante à abordagem da vacina de Oxford.
Eficácia
Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, a vacina da Janssen tem boa eficácia, mas não foi tão bem em estudos na África do Sul, provavelmente por causa da variante do coronavírus que estava circulando por lá.
“É um imunizante de uma dose apenas e isso permite vacinar o dobro de pessoas em relação às outras vacinas. Com ela a cobertura vacinal pode aumentar muito e outro dado importante é que pode ser conservada entre 2°C e 8°C, o que ajuda bastante na logística”, diz.
O especialista lamenta que, apesar da licença para uso emergencial no Brasil, a vacina ainda não está disponível no País. “Demoramos para fechar o acordo de uma vacina que estava sendo estudada aqui. Poderíamos ter tido prioridade na compra. Tem a licença para uso, mas ainda não recebemos pois o governo demorou a fazer contrato e elas só chegam depois. Estamos precisando delas neste momento crítico da pandemia”, avisou.
Já Denise Garrett, médica epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacina, viu com bons olhos o resultado da reunião da Anvisa. “A decisão dela ao aprovar o uso emergencial da vacina da Janssen é extremamente positiva. A equipe de carreira da agência tem mostrado uma postura séria, transparente e agindo com rapidez. A aprovação foi guiada pela ciência”, afirmou.
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