Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
21°
Mostly Cloudy

Brasil A ata de uma reunião contradiz o ministro da Secretaria-Geral da Presidência e aponta que ele foi responsável pelos repasses de dinheiro público a candidatos do partido de Bolsonaro

Bebianno trabalhava em uma pré-candidatura para a prefeitura do Rio pelo PSDB. (Foto: Agência Brasil)

Ata de uma reunião da Executiva Nacional do PSL realizada em julho do ano passado mostra que o partido do presidente Jair Bolsonaro definiu Gustavo Bebianno, então presidente interino da sigla, como o responsável pela distribuição de verbas públicas a candidatos nos Estados durante a campanha eleitoral de 2018. O encontro também decidiu os critérios eleitorais que deveriam balizar os repasses dos fundos de campanha.

Desde que o jornal “Folha de S.Paulo” revelou um esquema de candidaturas-laranjas da legenda nos Estados, Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, tem dito que as decisões sobre chapas nos Estados foram das direções regionais e que cuidou apenas da eleição presidencial.

“A responsabilidade cível e criminal está bem dividida. É dos diretórios regionais. A mim, competiu trabalhar para a eleição do presidente. No que se refere aos deputados estaduais e federais, senadores e governadores, cada diretório montou a sua chapa e conduziu”, disse ele à imprensa em pelo menos duas entrevistas nesta semana.

De acordo com a ata da reunião de julho, porém, houve uma votação e, por unanimidade, ficou decidido que caberia “ao presidente da Comissão Executiva Nacional do PSL decidir sobre a distribuição dos recursos.” Em seguida, o documento trata dos critérios que deveriam ser seguidos, considerando-se “a prioridade de reeleição dos atuais mandatários e a probabilidade de êxito das candidaturas, bem como a estratégia nacional do partido”.

No mesmo registro, o PSL formaliza: “Para que o candidato receba recursos do fundo eleitoral, deverá fazer requerimento formal, por escrito, à presidência da comissão executiva nacional”. O encontro de julho ocorreu em Brasília, às 14h, com a presença dos membros da comissão executiva nacional do PSL e foi presidido pelo próprio Bebianno, que também foi o primeiro a assinar a ata.

Crise

A crise foi deflagrada na quarta-feira, com um ataque do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, ao titular da Secretaria-Geral. O parlamentar postou no Twitter que Gustavo Bebianno havia mentido ao jornal “O Globo” quando declarou ter conversado com Jair Bolsonaro três vezes na véspera, negando a crise. Mais tarde, Carlos divulgou um áudio em que o pai se recusa a conversar com o ministro.

O ataque de Carlos foi endossado pelo presidente, que compartilhou em rede social postagens do filho e negou versão do ministro sobre ter conversado com ele. Segundo fontes de Brasília, o presidente da República esperava ter recebido alta hospitalar (na quarta-feira) já com o pedido de demissão de Bebianno “em sua mesa”, a fim de acalmar os ânimos em Brasília, o que não aconteceu.

Em entrevista concedida ao “Jornal da Record” ainda na noite de quarta-feira, Bolsonaro disse ter determinado a abertura de inquérito da Polícia Federal sobre o esquema de candidaturas laranjas de seu partido. Se Bebianno estiver envolvido, “o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”, disse ele.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Pelo menos 80 pessoas foram presas em uma operação contra a criminalidade em Porto Alegre e na Região Metropolitana
O Grêmio deu continuidade aos preparativos para o duelo diante do Brasil de Pelotas pelo Gauchão
Deixe seu comentário
Pode te interessar