Segunda-feira, 05 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia A ata de uma reunião de diretoria da Americanas diz: “Gastamos todo o dinheiro e temos de ir à guerra”

Compartilhe esta notícia:

O grupo Americanas é responsável pelo maior esquema fraudulento da história do mercado financeiro no Brasil. (Foto: Reprodução)

A ata de uma reunião de 2 de dezembro de 2022 da Americanas revela que a varejista planejava cortar pelo menos R$ 1 bilhão em investimentos previstos para 2023 antes mesmo de explodir a crise da empresa, em janeiro. Ela traz termos duros, como “não podemos ter a queima de caixa que estamos tendo” e “gastamos todo o dinheiro e temos de ir à guerra”. O documento diz ainda que o corte devia ser feito de “forma inteligente”.

O texto mostra que o executivo Sergio Rial, que assumiria como CEO da empresa, tinha conhecimento de que a varejista passava por dificuldades financeiras. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Rial mandou que esses problemas constassem da ata. Em 11 de janeiro, a Americanas divulgaria fato relevante admitindo um rombo de cerca de R$ 20 bilhões em razão de “inconsistências contábeis”. A questão é definir a extensão desse conhecimento, pois a empresa já havia divulgado um rombo de R$ 212 milhões no 3.º trimestre. Rial nega que conhecesse “as inconsistências contábeis antes de assumir o cargo de CEO”.

A existência do documento interno de cinco páginas, do qual a reportagem obteve uma cópia, foi revelada pelo site Metrópoles. Ele relata a reunião para o planejamento de 2023 da empresa e tem no alto a inscrição “reservada”. Participaram dela Rial, o diretor financeiro, André Covre, além dos diretores Anna Saicali, Marcio Cruz, Timótheo Barros, João Guerra e Vanessa Carvalho, que secretariou o encontro.

São três os trechos que as pessoas envolvidas com as investigações do caso alegam que precisam ser esclarecidos. O primeiro é uma advertência, no segundo parágrafo: “Não podemos ter a queima de caixa que estamos tendo”. O segundo está no quarto parágrafo. “Importante levarmos em consideração o asset (ativo) da empresa achado, fizemos um follow on (venda de ações) espetacular no momento certo (2020), mas gastamos todo o dinheiro. Agora precisamos de dinheiro e temos de ir à ‘guerra’.”

No final do documento, o terceiro trecho que merece atenção, segundo os investigadores, é o que registra que o capex (as despesas com investimentos) da empresa precisava ser reduzido “pelo menos em R$ 1 bilhão de forma inteligente” em relação ao previsto para 2023. O documento admitia ainda que talvez fosse “necessário interromper (…) alguns projetos”.

Os investigadores agora pretendem saber o papel dos envolvidos – bancos, auditores, executivos e controladores – na história e se agiram com a diligência devida em uma fraude que ocorria, apontam eles, havia sete ou oito anos.

Rial afirmou por meio de sua assessoria que “a reunião de 2 de dezembro de 2022, realizada com a presença do futuro CFO André Covre, teve por agenda apresentá-lo aos demais diretores e discutir, dentre outros temas específicos, o orçamento de 2023, conforme provas telemáticas existentes”. “Contudo, não foram apresentadas nessa reunião as projeções do quarto trimestre sob a alegação de que o Natal teria grande impacto ainda nas vendas.”

Nota da Americanas

A rede de lojas divulgou uma nota sobre o caso. “A Americanas informa que a citada ata da reunião realizada no dia 2 de dezembro de 2022 reflete encontro da antiga diretoria com os executivos que assumiriam os cargos de CEO e CFO em janeiro de 2023. De acordo com a ata, assim como os documentos apresentados na reunião obtidos pela atual diretoria da Americanas, foram discutidos no encontro desafios oriundos do resultado publicado do 3º trimestre de 2022 (que veio aquém do orçamento e das expectativas do mercado) e abordadas questões estratégicas para o orçamento de 2023, sem nenhuma apresentação de dados financeiros e contábeis, nem projeções sobre os resultados do 4º trimestre. Absolutamente nada sobre inconsistências contábeis, risco sacado ou VPC foi encontrado na referida ata ou qualquer outro documento obtido sobre a reunião”, diz o texto.

Versões

Há uma guerra de versões sobre o que aconteceu na Americanas e sobre quem são os responsáveis pela fraude. Bancos que têm bilhões de reais a receber da empresa contrataram exércitos de advogados e contadores para revisar documentos internos e ler a troca de e-mails de ex-executivos da varejista em busca de pistas.

Rial é um dos nomes-chave para entender o que se passou na empresa. Ex-presidente do Banco Santander por quase sete anos, foi convidado a presidir a Americanas por Carlos Alberto Sicupira, um dos principais acionistas da companhia, em meados de 2022.

No dia 19 de agosto de 2022, a Americanas anunciou a mudança na direção. Rial só assumiu a presidência em janeiro de 2023, mas atuou como consultor da empresa ao longo do segundo semestre de 2022, para conhecer por dentro a empresa. Para tanto, recebeu R$ 600 mil. Daí a razão de ele ter participado da reunião com a antiga diretoria.

Rial foi questionado na CPI da Americanas, na Câmara dos Deputados, sobre por que ele, que foi presidente do Santander, não consultou o sistema do Banco Central para checar o real endividamento da companhia. “A empresa tinha muita confiança do mercado. Fui vítima como muitos outros.”

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Sites estrangeiros sobem tarifas e lojistas repassam valor para clientes
Dólar domina ranking das aplicações em agosto
Pode te interessar