Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2021
Desde o início da pandemia, 21 secretários parlamentares morreram em decorrência da covid-19, segundo a Câmara dos Deputados. Mais de metade dessas mortes ocorreram neste ano: foram 8 em janeiro e 3 em fevereiro.
Antes disso, a Câmara havia computado no máximo duas mortes por mês por covid-19. Os dados foram disponibilizados em um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI). Os óbitos não necessariamente têm relação com o ambiente da Câmara.
Os dados compilados mostram ainda que, desde março do ano passado, houve 482 casos de infecções entre servidores comissionados e efetivos. O mês com mais contaminações foi agosto de 2020, com 99 casos contabilizados.
Com a retomada de trabalhos “semipresenciais” no Congresso em fevereiro, os casos de servidores, deputados e terceirizados infectados com coronavírus aumentaram 80% na Câmara dos Deputados em relação a janeiro. Foram 72 casos em dezembro, 58 em janeiro e 105 em fevereiro.
Com o agravamento das contaminações, as sessões agora voltaram a ser remotas, mas deputados podem, se quiserem, frequentar o plenário. A determinação de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, é de que visitantes não podem frequentar o prédio.
Nota
O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) divulgou uma nota em seu site oficial pedindo trabalho remoto para os servidores.
Leia na íntegra:
“Após semanas de negociações e articulações para a preservação da saúde e integridade física de seus filiados na defesa da manutenção do teletrabalho para os servidores do Legislativo, veio a público o levantamento realizado pelo Sindilegis sobre a grave situação sanitária nas dependências do Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados, onde há maior circulação de pessoas. Já são 21 mortes de trabalhadores da Casa e, pelo menos, 482 infectados pelo novo coronavírus entre março de 2020 e fevereiro de 2021. Por isso, antes de tudo, o Sindilegis esclarece que esta não é apenas mais uma nota de repúdio. Quando o luto coletivo de um país soma a perda de mais de 260 mil pessoas, os únicos próximos passos moralmente aceitáveis são aqueles que levam a preservar as vidas que continuam ameaçadas.
É importante ressaltar que o número de pessoas infectadas cresce ao considerar também os casos registrados entre os servidores do Senado e também entre os parlamentares de ambos os órgãos legislativos. Apenas o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) lamentou a morte de dois assessores na mesma semana em que a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, também testou positivo para Covid. Isso tudo em um contexto em que os sistemas de saúde público e privado do DF beiram o colapso com ocupação de leitos de UTI superior a 90% e com uma fila de espera que sequer sabe se vai receber atendimento, realçando ainda mais uma característica letal de uma doença que não escolhe idade, classe social ou gênero.
Os valorosos servidores da Câmara e do Senado, em tempo recorde e de maneira exemplar, deixaram claro que suas funções podem ser desempenhadas remotamente. Após um ano de pandemia, se o Brasil não estagnou foi graças ao empenho desses trabalhadores. Pelo bem de um país que não pode parar, queremos a segurança e garantia de que não sufocaremos com descaso e inércia ao servir à sociedade. O Sindilegis seguirá atento e vigilante, pois conforme já sinalizamos, vidas são inegociáveis e não mediremos esforços para proteger aqueles que são essenciais para o desenvolvimento da nação.
Trabalho remoto para todos os servidores já!”.
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