Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

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CAD1 A campanha de Bolsonaro estuda lançar uma ‘Carta aos Brasileiros’

Bolsonaro gravou um vídeo dizendo que nunca se sentiu tão feliz e bem. (Foto: reprodução Instagram)

A campanha do candidato à Presidência da República pelo PSL Jair Bolsonaro já tem pronta uma versão de uma carta semelhante à “Carta aos Brasileiros” lançada pela campanha do ex-presidente Lula em 2002. O texto ainda não foi aprovado por Bolsonaro, que está analisando se deve realmente lançar a carta.
Escrita pelo general Augusto Heleno, que integra a campanha de Bolsonaro, a carta também é defendida pelo general Hamilton Mourão, candidato à vice na chapa, conforme revelou o Blog do Camarotti, do portal G1 .

O texto, segundo a publicação, defende a pacificação do País com o resultado eleitoral e também faz um aceno ao mercado com ênfase na necessidade de se fazer um ajuste fiscal.

Com Bolsonaro hospitalizado, a estratégia da campanha é tentar ampliar votos nos segmentos onde o presidenciável ainda tem forte rejeição: o eleitorado feminino e a região Nordeste. Também haverá uma mobilização para conseguir os votos dos eleitores que ainda estão indecisos.

A expectativa na campanha é que, com a recuperação de Bolsonaro, ele possa produzir novos vídeos direcionados para esse público específico que tem resistência ao candidato do PSL.

Ao mesmo tempo, a ordem é capitalizar o apoio pulverizado pelo país. Como revelou o Blog, já há um movimento informal de deputados do “Centrão” que já fazem campanha para Bolsonaro.

Nesses últimos dias, a campanha de Bolsonaro começou a ser procurada por candidatos aos governos estaduais interessados em alianças para o segundo turno. São candidatos que no primeiro turno apoiam o tucano Geraldo Alckmin e o pedetista Ciro Gomes.

Outra determinação do próprio Bolsonaro é de que os integrantes da campanha evitem “casca de banana” em suas declarações.

Nas palavras de um aliado, é preciso evitar erros e falas polêmicas, como a do economista Paulo Guedes, que falou na recriação da CPMF. O núcleo duro da campanha está consciente de que é preciso ter cuidado nas falas públicas.

Aos poucos, Bolsonaro retoma o contato com o eleitorado, por meio de suas redes sociais. Na sexta-feira, gravou um vídeo, em que disse: “Uma má notícia a quem só restou torcer contra minha saúde e recuperação: Nunca me senti tão feliz e bem! Estamos voltando para, juntos, fazermos do Brasil uma grande nação.”

Rejeição feminina

As posições polêmicas de Jair Bolsonaro (PSL) geraram dois grupos opostos nas redes sociais. Um é formado por adversárias de sua candidatura, intitulado no Facebook de “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que já tem mais de 2,4 milhões de nomes e recentemente sofreu ataque de hackers partidários do militar que mudaram o nome do grupo para “Mulheres Com Bolsonaro”. Outro é a favor dele e já criou as páginas “Bolsogatas” e a “Musas de Direita”, cada uma com mais de 20 mil seguidores.

O primeiro grupo está organizando mais de 40 manifestações contra Bolsonaro em 19 estados e no Distrito Federal.

Conforme o jornal estado de Minas, somente em Minas Gerais, estão previstos protestos em Belo Horizonte, Juiz de Fora, onde o candidato foi esfaqueado em ato de campanha no último dia 6, Uberlândia e Itajubá.

Eleitoralmente, essa situação se apresenta em indicadores aparentemente contraditórios. Se por um lado o índice de rejeição do deputado entre as mulheres passou de 43% em agosto para 50% em setembro, de acordo com o Ibope, por outro, ele também carrega o maior percentual do voto feminino nesta eleição – de 20%.

Inclusive, esse número aumentou em quatro pontos percentuais se comparado à pesquisa divulgada pelo Ibope em agosto, quando 16% das mulheres o apontavam como melhor candidato. Em segundo lugar está Fernando Haddad (PT), que subiu 11 pontos percentuais entre agosto e setembro e registra 19% do apoio das mulheres.

Mulheres contrárias a Jair Bolsonaro argumentam que ele defende posições misóginas e não representa o eleitorado feminino. Dois exemplos trazidos à tona nas redes sociais são a condenação do candidato pelo STF por ter declarado que Maria do Rosário (PT) não merecia ser estuprada por ser “muito feia” – na qual foi obrigado a pagar R$ 10 mil para ela – e a posição do candidato em relação à diferença salarial entre homens e mulheres. O militar considera que a legislação prevê equidade salarial e que o Estado não deve interferir na iniciativa privada para corrigir possíveis diferenças de remuneração.

Por outro lado, mulheres favoráveis a Bolsonaro sustentam que pautas levantadas por ele, como a castração química de estupradores, são de interesse do eleitorado feminino. Há ainda algumas que discordam da ideia de que ele seja um personagem misógino, que defende a “família brasileira” e se opõe à “ideologia de gênero.”

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