Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2020
As autoridades da China informaram neste sábado (23) que não registraram novos casos de contágio por coronavírus pela primeira vez desde que o país começou a publicar dados sobre a epidemia, em janeiro.
A doença apareceu no final de 2019 em Wuhan, no centro da China, mas os casos diminuíram drasticamente desde o pico de meados de fevereiro, e o país parece ter controlado a Covid-19. De acordo com o último balanço, a China tem quase 83 mil casos de contágio e 4.634 mortes.
A pandemia se espalhou para o resto do mundo, infectando mais de 5 milhões de pessoas, das quais quase 330 mil morreram.
“Alcançamos grande sucesso estratégico em nossa resposta à Covid-19”, afirmou o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, na sexta-feira (22) na abertura da sessão plenária do Congresso Nacional do Povo (ANP).
Perante 3 mil deputados que usavam máscara, Li ainda destacou a “imensa tarefa” que ainda precisa ser feita.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa as autoridades chinesas de terem demorado a alertar o mundo sobre a epidemia e esconder sua escala.
Pequim negou as acusações de falta de transparência, dizendo que sempre compartilhou informações sobre a epidemia com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros países.
Segurança nacional
A sucursal estrangeira da China em Hong Kong reagiu neste sábado (23) a países que chamou de “intrometidos” e disse que as leis de segurança nacional propostas não prejudicariam os interesses dos investidores estrangeiros na região.
A legislação de segurança, que pode permitir que agências de inteligência chinesas estabeleçam bases em Hong Kong, causou calafrios nas comunidades diplomáticas e de negócios.
Autoridades do governo dos EUA disseram que a legislação acabaria com a autonomia da cidade governada pela China e seria ruim para as economias de Hong Kong e da China. Eles disseram que isso poderia comprometer o status especial do território na lei dos EUA, o que a ajudou a manter sua posição como um centro financeiro global.
O Reino Unido disse estar profundamente preocupado com as leis de segurança propostas, que minariam o princípio “um país, dois sistemas” acordado quando Hong Kong voltou ao domínio chinês em 1997.
Banqueiros e headhunters disseram que isso pode levar o dinheiro e os melhores profissionais a deixarem a cidade. As ações de Hong Kong caíram 5,6% na sexta-feira.
Um porta-voz do Gabinete do Comissário do Ministério das Relações Exteriores da China em Hong Kong disse em comunicado que o alto grau de autonomia da cidade “permanecerá inalterado, e os interesses dos investidores estrangeiros na cidade continuarão protegidos sob a lei.”
O escritório do comissário descreveu as declarações de “países intrometidos” como “lógica de gângster”.
“Não importa o quão venenosamente você nos impeça, provoque, coaja ou chantageie, o povo chinês permanecerá firme em proteger a soberania e a segurança nacionais”, afirmou o documento.
“Condenado é seu plano de minar a soberania e a segurança da China, explorando os causadores de problemas em Hong Kong como peões e a cidade como fronteira para atividades de secessão, subversão, infiltração e sabotagem contra a China”.
A decisão de Pequim ocorre depois que os protestos pró-democracia em 2019 mergulharam Hong Kong em sua maior crise política desde a volta ao domínio chinês. As autoridades comunistas veem os protestos como uma ameaça à segurança e culpam o Ocidente por fomentar agitações.
Chris Patten, o último governador da ex-colônia britânica, disse que a China traiu o povo de Hong Kong e que o Ocidente “deve parar de se prostrar em Pequim por um grande pote ilusório de ouro”. As informações são das agências de notícias AFP e Reuters.
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