Terça-feira, 27 de Outubro de 2020

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Brasil A China suspendeu a importação de frutos do mar de uma empresa do Brasil por uma semana por causa de coronavírus em embalagem

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Segundo o Ministério da Agricultura brasileiro, lote com Covid-19 será destruído, porém os demais foram liberados. (Foto: Divulgação)

China vai parar de aceitar pedidos de importação da empresa brasileira Monteiro Indústria de Pescados Ltda por uma semana, entre este sábado (26)  e o dia 3 de outubro, depois que um pacote de peixe congelado deu positivo para o coronavírus, disse a alfândega chinesa nessa sexta-feira (25).

Após esse prazo, porém, a autorização para a companhia exportar para o país será reativada automaticamente, afirma o Ministério da Agricultura do Brasil.

A detecção de covid-19 na embalagem ocorreu no porto de Huangpu, na cidade de Guanzhou, província de Guandong (Cantão). Na semana passada, o país suspendeu as importações de um produtor de frutos do mar da Indonésia.

“Foram coletadas, de forma aleatória, 19 amostras de pescados, mas em apenas uma delas, especificamente na embalagem primária, foi detectado o vírus. Não houve, no entanto, a liberação de laudo laboratorial pelas autoridades chinesas”, diz o ministério brasileiro.

“O lote referente à detecção será destruído, porém os demais foram liberados. Não haverá a suspensão do estabelecimento”, reforça o Ministério da Agricultura.

exportação de pescados do Brasil à China gira em torno de US$ 70 milhões por ano, com chineses e norte-americanos alternando como os maiores destinos do produto do país, cujos embarques totais são estimados em 300 milhões de dólares em 2020.

“Caso isolado”

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), cujos integrantes têm na China um mercado crescente que responde por até 30% dos embarques nacionais, avaliou o caso como algo isolado, e que ainda carece de confirmação.

À agência de notícias Reuters o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, disse que os “testes estão sendo feitos na China” e, se não forem encontrados indícios de contaminação, a indústria poderá voltar a exportar normalmente aos chineses.

“É um procedimento normal, o setor está tranquilo quanto à segurança do produto no Brasil e estamos trabalhando em harmonia com a autoridade chinesa, que está nos informando o que está acontecendo”, afirmou.

A Monteiro Indústria de Pescados não é associada da Abipesca, mas a entidade considerou importante se manifestar, levando em conta a importância do mercado chinês e perspectivas de crescimento.

O Brasil é um grande importador de peixes, com volumes anuais em torno de US$ 1,3 bilhão, incluindo salmão e bacalhau, mas está no caminho de avançar no mercado exportador.

A expectativa é de que as exportações de pescados do Brasil aumentem para US$ 600 milhões por ano em 2021 e ultrapassem US$ 1 bilhão em 2025.

Suspensão de carne de frango

A China já afirmou ter detectado coronavírus em outras embalagens de produtos brasileiros. No dia 13 de agosto, a prefeitura de Shenzhen disse ter encontrado rastros do vírus em um controle de rotina de frango importado do Brasil. O lote pertencia à unidade da cooperativa Aurora, em Xaxim (SC).

Dias depois, em 20 de agosto, a própria cooperativa suspendeu temporariamente os embarques de carne de frango da planta de Xaxim para os chineses, até que o episódio seja totalmente esclarecido.

Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que as autoridades sanitárias de “Shenzhen não souberam informar se os achados se referiam apenas à detecção do material genético do vírus ou ao vírus ativo, nem foram capazes de dar mais informações sobre o suposto achado”.

O ocorrido em Shenzhen fez com que as Filipinas impusessem uma proibição temporária a todas as importações de carne de frango nacional.

O Brasil já cobrou as autoridades filipinas para que retirem o embargo e ameaçou ir à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não sejam apresentadas evidências científicas confiáveis que justifiquem a suspensão.

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