Segunda-feira, 05 de outubro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
22°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia A classe média brasileira “encolhe” na pandemia e já tem o mesmo “tamanho” da classe baixa

Compartilhe esta notícia:

Medida reduz o imposto a ser pago sobre o ganho de capital, mas antecipa a tributação. (Foto: Agência Brasil)

A pandemia do coronavírus fez aumentar não só o número de brasileiros que vivem na extrema pobreza como diminuiu a classe média ao seu menor patamar em mais de 10 anos em relação ao total da população. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que, com o aumento do desemprego e o tombo da renda, esse grupo social deixou de compreender a maioria dos brasileiros.

De acordo com o estudo inédito, o percentual da população brasileira pertencente à chamada classe média tradicional caiu de 51% em 2020 para 47% em 2021 – mesmo ‘tamanho’ da classe baixa. A maior marca, segundo o Locomotiva, foi registrada em 2011, quando a classe média era 54% da população brasileira.

A pesquisa considera como classe média famílias com renda mensal per capita (por pessoa) entre R$ 667,87 e R$ 3.755,76.

O percentual de 47% foi calculado a partir de projeções e análises estatísticas do Locomotiva com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em números absolutos, a “classe média tradicional” foi estimada em 100,1 milhões de pessoas em março, contra 105 milhões em 2020. Ou seja, a crise trazida pela pandemia empurrou 4,9 milhões de brasileiros da faixa intermediária de renda para a classe baixa.

“Essa camada da população não tinha poupança, nem os recursos da elite para passar bem por essa pandemia. Também não contaram com auxílios emergenciais ou políticas voltadas para a base da pirâmide, que foi quem mais sofreu durante a crise”, afirma o economista Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Ele, que pesquisa há 20 anos as mudanças nas classes sociais do País, explica que o processo de expansão da classe média no Brasil foi interrompido desde a crise que se iniciou em 2014. Mas foi a primeira vez em mais de 10 anos que a classe média deixou de representar mais da metade da população.

“Esses brasileiros, que mudaram de vida no início do século, hoje estão tendo um sentimento que há muito tempo não se via no país, o sentimento de perda. E perder dói muito mais do que deixar de ganhar”, diz.

Endividamento

Uma pesquisa de opinião realizada pelo Locomotiva mostra que 6 de cada 10 brasileiros da classe média tradicional afirmam que a renda diminuiu no último ano. Desse recorte, 19% das famílias estão sobrevivendo com metade ou menos da sua renda pré-pandemia.

Ainda de acordo com o levantamento, 58% da classe média afirma que recorreu a bicos, vendeu algum bem ou abriu um negócio para obter renda extra após a chegada da pandemia. Mais endividados, 71% disseram ter ao menos uma conta em atraso. Na média, são 4,6 contas em atraso entre os inadimplentes.

O levantamento ouviu 1.620 pessoas, nos dias 21 e 22 de março, em 72 cidades em todos estados do país.

Entre os brasileiros de classe média entrevistados, 35% dos não conseguiram manter a doméstica ou a babá, 23% abriram mão ou perderam o plano de saúde e 18% daqueles que pagavam escolas particulares transferiram os filhos para escolas públicas.

Crise de perspectiva

Com o encolhimento da renda da população, o Locomotiva estima que a classe média deixará de consumir cerca de R$ 100 bilhões em 2021, representando um fator de dificuldade adicional para a recuperação da economia brasileira.

Analistas têm destacado que o grande número de desempregados, a inflação acima do teto da meta, preocupação com a saúde das contas públicas e o chamado risco fiscal dificultam uma retomada da economia.

A consultoria Tendências, por exemplo, projeta o retorno da recessão técnica em 2021, com quedas no PIB de 0,6% para o primeiro e 0,9% para o segundo trimestre deste ano. Para o ano todo, a projeção é de alta de 2,7%, uma recuperação fraca, e que ainda depender do ritmo de vacinação contra a covid-19. A estimativa média dos analistas do mercado financeiro está atualmente em 3,08%.

Para quem permaneceu na classe média, essa estagnação complica a criação de novos empregos e uma situação mais confortável. Mas, para quem ‘cai’, a chance de retorno fica ainda mais distante. Um crescimento em xeque somado à redução de benefícios sociais dão a equação de dificuldades extras para as classes de renda mais baixa, tirando de perspectiva uma ascensão.

No ano passado, o auxílio emergencial mais que compensou a queda de rendimentos do brasileiro, mas o prospecto para esse ano, com parcelas menores, é negativo.

Nos cálculos da Tendências, a massa de renda ampliada na economia (que agrega salários, benefícios sociais, previdência e rentabilidade de investimentos) subiu 5,3% em 2020, apoiada no auxílio. Neste ano, a queda deve ser de 3,8%, com depósitos menores e geração de empregos que não compensará as perdas da pandemia.

Nas classes D e E, a variação de renda entre um ano e outro será uma montanha russa. A primeira rodada do auxílio emergencial, com parcelas de R$ 600 e redução no fim do ano para R$ 300, elevou a renda desse extrato social em 23,4%. Com as quatro parcelas de R$ 250 previstas para a segunda rodada, a queda de rendimentos deve chegar a 14,4% em 2021.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Festa clandestina em viaduto na Freeway tinha mais de 100 adultos e adolescentes
Aposta de São Paulo leva sozinha prêmio de R$ 40 milhões da Mega-Sena
Pode te interessar