Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de dezembro de 2020
A disputa política em torno da CoronaVac acabou por deixar em segundo plano informações de ordem prática sobre como funciona essa vacina e o que esperar dela. Trata-se de uma vacina desenvolvida com uma plataforma conhecida e que tem sido bem recebida por vacinólogos, como a professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Clarisa Palatnik de Souza, uma das mais experientes especialistas do País em desenvolvimento de imunizantes e editora associada da revista Frontiers of Immunology.
1) O que é a CoronaVac?
É uma vacina desenvolvida pela empresa chinesa de biotecnologia Sinovac Life Science, que fez uma parceria no Brasil com o Instituto Butantan. Ela é feita com vírus inativado, uma estratégia em uso há décadas contra outras doenças e considerada bem estabelecida.
2) Como funciona?
É composta pelo coronavírus inteiro, inativado com produtos químicos, isto é, ele não pode mais se replicar e causar doença, mas sua presença pode estimular uma resposta do sistema de defesa. Ela gera imunidade contra a proteína S, alvo das demais vacinas em fase avançada, mas também contra as demais proteínas do vírus. O adjuvante (substância usada para potencializar o efeito de um imunizante) da CoronaVac é a alumina, muito conhecida. Ele gera uma forte resposta de anticorpos. É uma fórmula tradicional, não inova, mas não traz dúvidas, diz Palatnik.
3) O que se sabe dela em estudos?
Em testes com macacos, ela eliminou o vírus das vias aéreas superiores e, com isso, fez com que não se tornassem infecciosos ao serem inoculados com o coronavírus. O vírus não foi encontrado nos pulmões. Resultados das fases 1 e 2 em humanos foram apresentados.
4) Isso significa que ela poderia proteger contra a covid-19 e contra a infecção pelo coronavírus?
Os testes com animais sugerem que sim, que ela poderia evitar a doença e também a circulação do coronavírus. Mas não há ainda resultados da fase 3 publicados em humanos, estes são esperados para breve. Porém, até agora, é a única que tem resultados que indicam que poderia proteger contra a covid-19 e também interromper a transmissão.
5) Há efeitos colaterais relatados?
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