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Política A crise do coronavírus provoca embate de Bolsonaro com os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, seus rivais para as eleições presidenciais de 2022

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Presidente pregou a união entre Executivo federal, governadores, prefeitos, demais autoridades e empresários. (Foto: Carolina Antunes/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os governadores dos dois estados mais afetados pelo novo coronavírus trocaram acusações sobre a responsabilidade de cada um no combate à Covid-19.

Os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmaram que Bolsonaro falha. Para eles, o presidente age com demora na resposta à crise sanitária causada pela doença.

O presidente, por sua vez, criticou medidas dos governos locais como fechamento de shoppings e, principalmente, o decreto de Witzel de restringir o transporte interestadual e voos no estado.

No final da noite, Bolsonaro disse em rede social ter assinado medida provisória “deixando claro ser de competência federal, observando critérios técnicos e responsáveis, a definição sobre fechamento, ou não, de aeroportos e rodovias/estradas federais”.

Doria e Witzel se elegeram em 2018 impulsados pelo bolsonarismo. Eles, contudo, romperam com o atual presidente e hoje são considerados adversários políticos pelo Planalto, além de potenciais rivais na disputa pela Presidência em 2022.

As ações do governador do Rio foram tomadas por decreto. Elas, porém, dependem de aval de agências federais —que avisaram que o estado não tem competência para decidir sobre esses assuntos.

“Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas, que não compete a eles, [como] fechar aeroporto, fechar rodovias. Não compete a eles fechar shopping, etc, a feira dos nordestinos no Rio de Janeiro, que está para fechar”, afirmou Bolsonaro pela manhã, na saída do Palácio da Alvorada.

“Parece que o Rio de Janeiro é um outro país. Não é um outro país, isso aqui é uma federação. Temos de tomar medidas equilibradas, porque cada vez mais leva o pânico para a companhia aérea. O pessoal mais pobre daqui a pouco vai ter problema de saque”, afirmou. As respostas de Witzel e de Doria foram rápidas.

“São os nossos hospitais que serão impactados, e o governo federal ainda em passo de tartaruga. Só fiz o decreto para que o governo tome ciência das medidas que precisam ser adotadas e, de uma vez, acorde”, disse Witzel à GloboNews. “É necessário acabar com essa atitude antidemocrática e ouvir os governadores”, completou o governador fluminense.

Ele ainda se queixou da falta de diálogo com a administração central. “Nós [governadores] não temos diálogo com o governo federal. Não sou só eu. Os governadores, para se comunicar com o governo federal, precisam mandar uma carta”, disse Witzel ao RJTV, da TV Globo.

Doria foi na mesma linha. “Nós estamos fazendo aquilo que ele não faz: liderar o processo, a luta contra o coronavírus, estabelecer informações claras, não minimizar processos, compreender a importância de respaldo da informação científica, da área da medicina”, afirmou o tucano.

O governador paulista disse ainda que os governadores se reunirão na segunda-feira (23) para discutir medidas conjuntas. Segundo o tucano, Bolsonaro, “quando faz, faz errado”. São Paulo e Rio são os dois estados mais golpeados pela pandemia do coronavírus no Brasil. Em São Paulo, são 396 casos confirmados e 9 mortes. No Rio, os números são 109 e 2, respectivamente.

No Brasil, segundo boletim do Ministério da Saúde desta sexta, eram 904 casos positivos do vírus. Já morreram no país 11 pessoas em consequência da Covid-19. Bolsonaro vem se queixando de medidas restritivas tomadas por governadores que ele considera excessivas e que contribuem, na sua visão, para um estado de histeria e para danos na atividade econômica.

No começo desta semana, Bolsonaro afirmou: “Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia. […] A vida continua, não tem que ter histeria”.

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