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A culpa é do vagão

Benedito Valadares foi interventor em Minas Gerais de 1933 a 1945. Ao assumir, pediu relatórios aos secretários. De um deles, recebeu:
“Nos diversos acidentes ferroviários que vêm ocorrendo, os dados demonstram que o maior número de vítimas encontra-se no último vagão”.
A resposta foi imediata: “Senhor secretário, elabore imediatamente um decreto extinguindo o último vagão dos trens mineiros.”

SAINDO DA LINHA

Por décadas, outros administradores, comandantes das locomotivas públicas, acharam que o problema era o último vagão. Aumentaram a tarifa para os viajantes que se viram comprimidos em latas de sardinha. Sem fiscais para exercer controle, o trem foi aumentando a velocidade e a despesa até descarrilar.

É O FIM DA LINHA

Com má condução, não surpreende que governadores e prefeitos estejam hoje sentados à beira da estrada com a mão estendida. A maioria sempre achou que não faltaria combustível, sustentado com dinheiro dos tributos. Até o posto de abastecimento desapareceu.

NÃO TOMAM JEITO

Como ocorre com frequência, a Agência Nacional de Saúde Suplementar vai suspender a comercialização de 69 planos de saúde de 11 operadoras a partir da próxima semana. Serão punidas devido a reclamações recebidas por negativas e demora nos atendimentos. Juntos, os planos de saúde suspensos têm 692 mil beneficiários. Caso típico de estelionato dos que vendem o que não podem entregar. O melhor remédio para eles é a prisão.

ANDANDO PARA TRÁS

Na Câmara dos Deputados, terça-feira, vai se reunir o grupo de trabalho que analisa proposta para assegurar aos taxistas a exclusividade no transporte individual de passageiros em todo o País. Quer tornar ilegais todos os serviços prestados por motoristas mediante aplicativos digitais, sujeitando o infrator a penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Um absurdo.

INTROMISSÃO

O País vai melhorar quando a Câmara dos Deputados enfrentar as reformas tributária, política e da Previdência Social. Suas Excelências confundem: as Câmaras que devem tratar de táxis e aplicativos são as municipais.

A GRANDE PERGUNTA

A 3 de dezembro de 2006, o professor Antônio Álvares da Silva, titular da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, perguntou: “Até quando as necessidades imaginárias de Estado perdulário vão retirar das necessidades concretas do cidadão o pouco que ainda lhe resta para viver? Será que um dia vamos pôr o fiel da balança no lugar certo?”. Passados 10 anos, pouquíssimos governantes se habilitaram a responder.

RÁPIDAS

* Técnico da Secretaria da Fazenda comentou ontem: “Para o Estado sair do buraco, terá cavar mais fundo ainda.”

* Está nas mãos do Senado a busca de um País em que os corruptos e amigos do caixa 2 sejam processados.

* Retrato dos sem futuro: cresce o número de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil, diz o IBGE.

* Gestores públicos dizem que qualquer governo tem direito de pedir que apertem o cinto. Mas logo no pescoço?

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