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Política A decisão de Bolsonaro de trocar os comandos de seis ministérios favorece a articulação com o Congresso, mas o equilíbrio é tênue

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As alterações estudadas garantem ao Congresso a prerrogativa de vetar resoluções. (Foto: Divulgação)

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar os comandos de seis ministérios, principalmente do Itamaraty, Casa Civil, e Secretaria de Governo, melhoram o clima do governo com o Congresso Nacional e trazem certa segurança ao chefe do Executivo, mas essa tranquilidade é momentânea, sutil, e pode sofrer mudanças a depender da conjuntura, avaliam parlamentares.

Ao escolher a deputada Flavia Arruda (PL-DF) para a Secretaria de Governo, Bolsonaro marcou pontos com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e seu grupo político, conhecido como centrão.

Ainda que não seja uma unanimidade entre os colegas de Congresso, a deputada firma, no Planalto, uma ponte direta com o comando da Câmara, o que facilita o canal para demandas e reclamações. O movimento foi encarado por diversos parlamentares como um explícito aceno ao centrão.

A articulação política ganhou um reforço com a ida do general Luiz Ramos para a Casa Civil, no lugar de Braga Netto. Na leitura de uma fonte do Congresso, o novo ministro da Casa Civil tem bom trânsito e conta com a simpatia de muitos parlamentares, diferente de seu antecessor. Com isso, apesar de a Casa Civil não ser a responsável direta pelas negociações com o Congresso, entende-se que o Planalto acaba ficando mais acessível.

E Bolsonaro ainda tentou um aceno ao Senado quando trocou o comando do Ministério das Relações Exteriores, algo já precificado diante da pressão de senadores na última semana e intensificada no fim de semana, quando o então ministro Ernesto Araújo decidiu abrir fogo contra a presidente da Comissão de Relações Exteriores, Kátia Abreu (PP-TO).

O novo chanceler, no entanto, não é muito conhecido e parlamentares, embora esperassem alguém mais experiente, ainda aguardam para avaliar a situação.

Avaliação interna de um partido de centro dá conta de um resultado neutro, um ponto de equilíbrio nas movimentações do presidente. De um lado sinalizou ao Congresso, de outro, a sua base mais radical com a indicação de amigo de seus filhos para o Ministério da Justiça, o delegado da Polícia Federal Anderson Torres, que até a véspera respondia pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

Por outro lado, para essa sigla, com o reforço, Bolsonaro não deve ceder em seu discurso ou na sua atuação frente à pandemia de coronavírus.

Outros parlamentares alertam que a estabilidade conquistada é frágil e vulnerável ao desenrolar dos próximos dias.

“Noves fora o equilíbrio depende do presidente”, avaliou o senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator de comissão do Senado que acompanha as ações do governo de combate à crise do coronavírus.

O senador foi um dos que avaliou como positiva a escolha de Flávia Arruda para a Secretaria de Governo e de Ramos para a Casa Civil.

Da mesma forma, o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), avalia que o clima no Congresso tende a arrefecer, mas pondera: “a linha é muito tênue”.

O deputado Fábio Trad (PSD-MS), vice-líder do maior bloco da Câmara, explica que o Congresso é constituído por uma correlação de forças. Alguns grupos podem não ter se sentido contemplados com as mudanças ministeriais, mas uma coisa é certa para o parlamentar: “enquanto a pandemia estiver avançando , o clima continuará tenso”.

Trad avalia que tendo representantes do centrão no Planalto, o governo garante alguma estabilidade.

“É incontestável que, nomeando o centrão no primeiro escalão, terá menos intranquilidade politicamente no Parlamento. A não ser que ocorram fatos imprevisíveis.”

Meio Ambiente

Outro alvo de críticas recentes de parlamentares, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles passou incólume nas trocas de segunda. Segundo uma fonte da Frente Parlamentar da Agropecuária, o ministro não é visto entre os integrantes do grupo como um grande obstáculo.

Articulado, o setor se organizou em campanhas para garantir seus maiores compradores – incluindo a China – e conseguiu abrir novos mercados, apesar da imagem desgastada do Brasil no exterior em relação ao meio ambiente.

Mas parlamentares da frente nutrem insatisfação com o governo, sim. O problema da vez diz respeito ao veto de Bolsonaro ao Fiagro, Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), instrumento de captação de recursos para o agronegócio no mercado financeiro. As informações são da agência de notícias Reuters.

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