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Brasil A decisão do PT de boicotar a cerimônia de posse de Bolsonaro não foi unânime

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Partido quer lista mais enxuta e prevê que recursos do fundo eleitoral devam ser um "problema". (Foto: Divulgação/PT)

Integrantes da bancada do PT na Câmara disseram que não houve unanimidade na sigla em torno da decisão de boicotar a posse de Jair Bolsonaro. Ninguém vai furar a determinação do partido, mas alguns integrantes consideraram o gesto drástico e mal explicado.

PT e PSOL

O PT e o PSOL anunciaram na sexta-feira (28), por meio de notas, que os deputados e senadores dos dois partidos não vão comparecer à cerimônia de posse de Jair Bolsonaro na terça-feira (1º) no Congresso Nacional.

Dono da maior bancada da Câmara na próxima legislatura (56 deputados), o PT afirmou que o boicote à solenidade que empossará o novo presidente da República é um “ato de resistência”. Bolsonaro derrotou no segundo turno da corrida pelo Palácio do Planalto o presidenciável do PT, Fernando Haddad.

A nota divulgada na sexta pelo PT está assinada pela presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e pelos líderes da legenda no Senado e na Câmara, senador Lindbergh Farias (RJ), e deputado Paulo Pimenta (RS).

Os petistas afirmam no comunicado que, em quase quatro décadas de existência, o partido “sempre reconheceu a legitimidade das instituições democráticas”.

Mas argumentam que a “lisura” do processo eleitoral deste ano foi “descaracterizada pelo golpe do impeachment, pela proibição ilegal da candidatura do ex-presidente Lula e pela manipulação criminosa das redes sociais para difundir mentiras contra o candidato Fernando Haddad”.

“Não compactuamos com discursos e ações que estimulam o ódio, a intolerância e a discriminação. E não aceitamos que tais práticas sejam naturalizadas como instrumento da disputa política. Por tudo isso, as bancadas do PT não estarão presentes à cerimônia de posse do novo presidente no Congresso Nacional”, justificou o PT na nota.

O PSOL, cuja bancada na Câmara terá dez deputados, argumentou no comunicado assinado pela executiva nacional que os parlamentares da sigla não comparecerão à solenidade porque “não há nada a comemorar”.

De acordo com os dirigentes do PSOL, o governo que se iniciará em 1º de janeiro “tem como princípios o ódio, o preconceito, a intolerância e a violência”.

“Estaremos nas ruas, desde o primeiro dia de governo, defendendo a democracia, os direitos do povo brasileiro e a soberania nacional contra aqueles que querem fazer o Brasil retroceder a 1964. Seremos resistência, desde o primeiro dia do governo Bolsonaro, nas ruas e no parlamento, em defesa do povo brasileiro”, diz trecho do comunicado da executiva nacional do PSOL.

“Lamento”

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse lamentar o anúncio de PSOL e PT, de que seus deputados e senadores não vão participar da cerimônia de posse, no Congresso. “Soube que PT e PSOL não comparecerão à cerimônia de posse presidencial em repúdio a mim. Lamento!”, escreveu, no Twitter.

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