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Política A decisão dos Estados Unidos de classificar o CV e o PCC como organizações terroristas ocorre em um momento de acentuada expansão local e internacional dessas facções

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O fluxo da droga gera um faturamento bilionário e desencadeia mecanismos cada vez mais sofisticados de lavagem de dinheiro.(Foto: Reprodução)

A decisão dos Estados Unidos de classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas ocorre em um momento de acentuada expansão local e internacional dessas facções.

Os grupos de origem paulista e fluminense têm ampliado o controle territorial e se fortalecido com as cifras bilionárias oriundas principalmente do tráfico de drogas. É central nesse contexto o fluxo da cocaína vinda dos países produtores, Colômbia, Peru e Bolívia, a mercados consumidores europeus.

A medida do governo de Donald Trump deverá expandir significativamente o poder de atuação contra as facções brasileiras, como prevê a legislação americana, o que é alvo de críticas do governo Lula (PT). Ainda não são conhecidas, contudo, as medidas práticas que serão adotadas para combater a atuação desses grupos criminosos.

Entidades dizem que a decisão surtirá pouco efeito, enquanto a oposição a Lula aposta que haverá enfraquecimento do CV e PCC.

Especialistas e autoridades envolvidas no combate direto às facções avaliam que a mobilização americana chega num momento de fortalecimento crescente do crime organizado, que não parece dar sinais significativos de fragilidades mesmo diante de planos, projetos e operações policiais diversas.

O cenário nas últimas duas décadas foi de expansão vertiginosa, sem que o Estado tenha conseguido conter efetivamente essa atuação, apontam.

O PCC vive o ápice do seu processo de internacionalização. Trata-se de um movimento que a facção começou a adotar com mais intensidade nos últimos dez anos.

Conforme a Promotoria de São Paulo, a facção conta com 40 mil membros, com braços de atuação que chegam a outros 27 países além do Brasil. O governo Trump, por exemplo, afirma que PCC e CV estão presentes em 12 estados americanos, sem detalhar quais.

O fluxo da droga gera um faturamento bilionário e desencadeia mecanismos cada vez mais sofisticados de lavagem de dinheiro.

No último ano, chamou atenção o uso de bancos digitais e plataformas de pagamento, as chamadas fintechs, na teia de lavagem da facção, aspecto que poderá ser levado em consideração na adoção de sanções econômicas americanas.

Investigações capitaneadas pelo Ministério Público paulista e pela Receita Federal, além da Polícia Federal, têm identificado a atuação do grupo em setores da economia formal, como o mercado de combustíveis e licitações públicas em áreas como transporte, a exemplo do que foi revelado pelas operações Carbono Oculto e Fim da Linha.

“O enfrentamento ao crime organizado deve se dar pelo fluxo financeiro. Temos que acabar com isso de subir morro atrás de traficante, tipo de operação que fazemos há 30 anos sem resultado. É preciso sufocar a cadeia de abastecimento do crime”, diz Mário Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública e procurador-geral de Justiça de São Paulo de 2020 a 2024.

A internacionalização da facção ficou evidente na operação Sharks, deflagrada em 2020, que mapeou a logística de fornecimento de drogas a partir do Paraguai e da Bolívia rumo a países na Europa. O fluxo de droga por essa rota só se intensificou desde então.

O promotor Juliano Atoji, do MP-SP, ressaltou em entrevista este mês que o PCC se especializou na diplomacia, mas é um grupo ultraviolento, a exemplo do assassinato do delator Antonio Gritzbach, no aeroporto de Guarulhos em novembro de 2024.

“Eles nunca abandonaram a violência e são um grupo ultraviolento. Nos ataques de 2006, agiram como um grupo terrorista, patrocinando a desordem. Mas viram que foi um prejuízo. Os integrantes notaram que, na ausência de enfrentamento com o Estado, conseguiam estabelecer [maiores] lucros, crescer financeiramente”, afirma.

Crescimento

No caso do CV, a decisão dos EUA acontece enquanto a facção fluminense tem expandido sua atuação pelo Brasil, com rotas de tráfico que vêm de países vizinhos.

Isso tem levado a um aumento das disputas entre grupos criminosos tanto no Rio de Janeiro quanto em outras partes do país –principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Os dados vêm de investigações policiais e estudos de institutos de segurança pública.

Estudo do Instituto Fogo Cruzado em parceria com o GENI-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense) mostra que o CV foi o grupo armado que mais expandiu áreas de influência na região metropolitana do Rio nos últimos anos.

Segundo o levantamento, a facção avançou principalmente sobre territórios antes dominados por milícias e grupos rivais.

Os pesquisadores também destacam os impactos da violência armada na rotina da população, incluindo fechamento de escolas, interrupção de linhas de transporte público e aumento da sensação de insegurança.

O combate à facção tem sido altamento letal, o que teve o ápice na operação policial que deixou 122 mortos na Penha e no Alemão em outubro de 2025, um recorde para a história do país. (Com informações da Folha de S. Paulo)

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