Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias A descoberta científica que protege milhões de pessoas do vírus sexualmente transmissível mais comum, o HPV

Compartilhe esta notícia:

Médica explica a importância das vacinas e dos exames preventivos. Nas mulheres, o vírus pode levar ao câncer de colo do útero. (Foto: Reprodução de internet)

Em junho de 1991, o imunologista escocês Ian Frazer voltou para casa animado. “Eu disse a minha esposa que descobrimos algo no laboratório que, um dia, poderia ser muito útil”, contou o médico à BBC News. E ele estava certo.

A descoberta seria o início de um processo que mudou a prevenção de um dos tipos mais letais de câncer para mulheres.

Frazer era professor da Universidade de Queensland, na Austrália, e estudava o HPV, que causa o câncer de colo de últero.

O que é HPV?

HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. São vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas oral, genital ou anal, tanto de homens quanto de mulheres – provocando, segundo o Ministério da Saúde, verrugas na região genital e no ânus, além de câncer, a depender do tipo de vírus.

Dos mais de 150 tipos diferentes do vírus, 13 são considerados de alto risco, podendo causar, além dos tumores cervicais, câncer de ânus, vulva, vagina e de pênis.

Altamente contagioso, muitas vezes assintomático e sem cura, ele é transmitido principalmente durante a relação sexual sem proteção e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o vírus sexualmente transmissível mais comum.

“Aproximadamente 8 em cada 10 pessoas contrairão esse vírus em algum momento de suas vidas”, segundo a ONG britânica Cancer Research, dedicada à pesquisas sobre a doença.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde divulgados em 2017 mostram que a prevalência do vírus na população é de 54,6% – sendo que 38,4% apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero. É o terceiro mais frequente entre as mulheres no país, o quarto que mais mata – e um dos poucos que podem ser prevenidos com vacina.

O organismo da maioria das pessoas combate o vírus e muitos nem chegam a saber que foram contaminados.

Para alguns, no entanto, as consequências dele podem ser fatais.

A caminho da vacina

Em 1989, Frazer estava em um período sabático na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e lá conheceu o cientista chinês Jian Zhou, que também estava interessado em pesquisas sobre o HPV.

Ele então o convidou para trabalhar em seu laboratório na Universidade de Queensland, na Austrália. Seu objetivo? Tentar encontrar uma vacina para o vírus.

Mas eles esbarraram em um problema fundamental.

Ao contrário da maioria dos vírus, o HPV não pode ser replicado em laboratório. E esse processo é essencial para desenvolver uma vacina.

Eles decidiram então superar o obstáculo de uma jeito muito especial: usando técnicas de engenharia genética para tentar copiar o vírus.

“Identificamos o código genético da parte externa do vírus e foi isso que tentamos recriar através de uma cultura de células”, explica Frazer à BBC.

Eureka!

Assim começou um meticuloso trabalho de pesquisa e experimentação que durou meses.

A lógica era que, se conseguissem replicar a camada externa do vírus, e se ela fosse idêntica à original, o organismo a identificaria e o sistema imunológico reagiria eliminando o vírus.

Dessa maneira, se no futuro a pessoa fosse infectada pelo HPV, o corpo o reconheceria e o eliminaria, impedindo assim que o vírus pudesse causar o câncer de cólo de útero.

“Nós tentamos 20, 30 vezes, até que finalmente conseguimos. A aparência do vírus que criamos era a do HPV. E isso nos deixou muito animados. Se uma vacina podia ser desenvolvida, aquela era a maneira de fazer”, diz o imunologista.

Os cientistas patentearam a descoberta e, logo depois, empresas farmacêuticas começaram a contatá-los.

Imunização no Brasil

No Brasil, desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

A indicação para esse grupo está relacionada a sua maior capacidade imunológica de desenvolver anticorpos: estudos sobre a eficácia da vacina em diferentes grupos etários mostraram que a resposta imunológica do organismo é mais alta na pré-puberdade. Por isso, a imunização em massa é para essa parcela da população, e não em adultos.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Fernando Haddad diz que Lula não pede indulto
A Amazon desiste de uma ferramenta secreta de recrutamento que mostrou discriminar as mulheres
Pode te interessar