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Política A desconfiança do brasileiro em relação ao Supremo atingiu o pico após o escândalo envolvendo o Banco Master

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O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023.(Foto: Luiz Silveira/STF)

A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a suspeita de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro produziram efeito negativo na imagem da instituição: a maioria da população não confia no tribunal, avalia que os magistrados não julgam com imparcialidade e há envolvimento direto de alguns deles no escândalo.

As conclusões fazem parte da mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada na sexta-feira (20), que mostra a confiança dos brasileiros nas instituições. Segundo o levantamento, 60% dizem não confiar na Corte, ante 34% que dizem confiar. Outros 6% não têm posição clara sobre a mais alta instância do Poder Judiciário.

O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023. Na época, os dois números estavam no mesmo patamar: 45% diziam confiar no Supremo, enquanto 44% respondiam o contrário.

Em agosto de 2025, a maior quantidade de críticos já era observada no levantamento, mas o número negativo estava 8,7 pontos porcentuais abaixo do atual. Eram 51,3%. A confiança era maior, 48,5% – 14,5 pontos acima do que é hoje.

“A autoridade dos tribunais está ligada a três elementos fundamentais: independência, imparcialidade e capacidade de decidir com objetividade. Quando você questiona um dos pilares da autoridade do Supremo, que é a sua imparcialidade, ou seja, sua equidistância em relação às partes, evidentemente isso afeta a confiança”, disse o professor de Direito Constitucional Oscar Vilhena, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A AtlasIntel/Estadão ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, após novo desgaste do Supremo causado pelas revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato com Vorcaro, com suspeitas de que teriam conversado no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais e a confiança é de 95%.

Envolvimento direto

Para 66,1% das pessoas ouvidas, há envolvimento direto de ministros do STF no caso Master. O número dos que dizem não ter opinião sobre o tema é 18,9%, maior do que os 14,9% que acreditam não haver ministros ligados aos crimes cometidos por Vorcaro. Além de Moraes, há indícios de relacionamento de outros ministros da Corte com o banco investigado por fraudes financeiras.

O ministro Dias Toffoli é sócio anônimo de empresa que recebeu pagamento do cunhado de Daniel Vorcaro pela venda da participação no resort Tayayá, no interior do Paraná.

O Estadão também mostrou que o Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.

A percepção sobre o envolvimento de integrantes do Supremo no caso se conecta com a avaliação de 76,9% dos entrevistados de que há “muita influência externa (de políticos, partidos e grupos poderosos) no julgamento”. Outros 13% dizem enxergar alguma ação externa para interferir no processo, enquanto 6,1% avaliam que os procedimentos estão sendo feitos de forma técnica e baseados na lei. Já 3,9% não sabem opinar sobre o tema.

Conforme a pesquisa, o escândalo do Banco Master é conhecido pela maioria dos brasileiros. Ao todo, 74,7% afirmam conhecer detalhes do episódio, enquanto 22,9% dizem já ter ouvido falar. Apenas 2,5% declaram desconhecer o caso. Somados, os que afirmam conhecer o episódio, em maior ou menor grau, chegam a 97,6% dos entrevistados.

Renda

Os dados demográficos mostram que o STF tem maior confiança entre as camadas da população com maior renda familiar. A faixa de quem ganha acima de R$ 10 mil é a única em que o porcentual positivo é maior que o negativo. Segundo o levantamento, 48,5% dizem confiar na Corte, enquanto 45,3% desconfiam. As pessoas com renda familiar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil são as que menos confiam na instituição – 69,6%. Os que dizem confiar são 27,8%.

Ao analisar o posicionamento do ponto de vista eleitoral, 96,5% dos que votaram no expresidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno em 2022 dizem não confiar no Supremo, enquanto 0,7% relata confiança na instituição. O cenário é o oposto entre os votantes no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). São 71,4% os que confiam, ante 23,1% que não confiam. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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