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A eleição presidencial de 2026 ainda está em aberto e será decidida pelos 7% de brasileiros que ainda consideram mudar seu voto

Outra mudança notada por ela é que a avaliação do presidente e do governo não muda mais durante a campanha. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Veterana pesquisadora, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, de 52 anos, com cerca de 30 anos de experiência em um dos principais institutos de pesquisa do país, diz que a eleição presidencial de 2026 ainda está em aberto. E que será decidida pelos 7% de eleitores que ainda consideram mudar seu voto.

Compõem esses 7% do eleitorado uma maioria de mulheres, jovens e pessoas de renda mais baixa e escolaridade média. Desses, 56% não rejeitam nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL). E 52% dizem não estar alinhados a nenhuma candidatura ou partido. Para Chong, a polarização da opinião pública torna extremamente difícil a migração de votos de Lula para Flávio e vice-versa.

Outra mudança notada por ela é que a avaliação do presidente e do governo não muda mais durante a campanha. Os eleitores não alteram sua opinião mesmo quando são beneficiados por medidas de última hora, como o pacote de bondades de Lula.

Chong aponta o Rio de Janeiro como o Estado onde a influência da milícia e do tráfico na política já se faz notar com mais clareza, dificultando até a previsão de resultado pelos institutos de pesquisa. “O Rio está dominado”, diz a diretora do Datafolha.

Veja os principais trechos da entrevista concedida por Chong:

1) Flávio Bolsonaro foi para o segundo turno na frente de Lula, recebeu apoios e, mesmo assim, não ampliou suas intenções de voto e até recuou. O que explica isso?

A primeira pesquisa depois do primeiro turno mostrou Flávio com 49% e Lula com 45%. Agora, Flávio tem 47% e Lula, 45%. A movimentação que teve foi de dois pontos que eram do Flávio para indecisos ou voto em branco/ nulo. Não dá para dizer quem ganhou e quem perdeu.

2) Há uma movimentação do eleitorado mais jovem, de 16 a 24 anos, nas intenções de voto. Tem relação com as manifestações de rua?

Esse eleitorado está com Lula, que já tinha maioria nessa faixa em 2022. Na primeira pesquisa do 2º turno, esse índice caiu, mas agora retomou. É um grupo muito volátil. No 1º turno, os indecisos estavam no grupo dos mais jovens. As mulheres e os mais jovens demoraram mais para decidir. Entre as mulheres ficou estável: Lula tem 49% e Flávio, 41%. No recorte das mulheres chefes de família, Lula tem 54% e Flávio, 37%. É um segmento que Lula tem vantagem. Entre as mulheres que não são chefes de família, eles empatam. As mulheres têm preocupação maior com o social. Para elas, o principal problema do país é a saúde e para os homens, a segurança.

3) Lula anunciou um pacote de bondades, mas não aumentou intenções de voto nem a aprovação. O que ajuda a explicar isso?

Temos que rememorar 2022, 2018. A partir de 2018, mudou o patamar. No passado, Lula teve avaliações altíssimas. No segundo mandato, nessa época, tinha 81% de aprovação, de ótimo/bom. No primeiro, teve 49% de ótimo/bom. Isso não existe mais, por causa da polarização. A partir de 2018, quando Jair Bolsonaro ganhou, o país se dividiu. Em 2022, com a polarização, Lula ganhou por uma margem mínima no 2º turno. No 1º turno, Lula tinha uma vantagem maior em relação a Jair, de pelo menos dez pontos de vantagem, mas no segundo turno chegaram empatados. Essa polarização se mantém, por isso que a avaliação do Lula nunca foi boa.

4) O fim da jornada 6×1 pode mexer esse ponteiro?

Tem um contingente grande de pessoas que vão ser afetadas, mas tem um contingente maior que não vai, dos informais. É uma medida importante, mas é difícil. Mesmo que a pessoa ache que o governo está melhorando, se ele for Bolsonaro, não vai dizer isso. (Com informações do Valor Econômico)

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