Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de outubro de 2026
Veterana pesquisadora, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, de 52 anos, com cerca de 30 anos de experiência em um dos principais institutos de pesquisa do país, diz que a eleição presidencial de 2026 ainda está em aberto. E que será decidida pelos 7% de eleitores que ainda consideram mudar seu voto.
Compõem esses 7% do eleitorado uma maioria de mulheres, jovens e pessoas de renda mais baixa e escolaridade média. Desses, 56% não rejeitam nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL). E 52% dizem não estar alinhados a nenhuma candidatura ou partido. Para Chong, a polarização da opinião pública torna extremamente difícil a migração de votos de Lula para Flávio e vice-versa.
Outra mudança notada por ela é que a avaliação do presidente e do governo não muda mais durante a campanha. Os eleitores não alteram sua opinião mesmo quando são beneficiados por medidas de última hora, como o pacote de bondades de Lula.
Chong aponta o Rio de Janeiro como o Estado onde a influência da milícia e do tráfico na política já se faz notar com mais clareza, dificultando até a previsão de resultado pelos institutos de pesquisa. “O Rio está dominado”, diz a diretora do Datafolha.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Chong:
Valor: Flávio Bolsonaro foi para o segundo turno na frente de Lula, recebeu apoios e, mesmo assim, não ampliou suas intenções de voto e até recuou. O que explica isso?
Luciana Chong: A primeira pesquisa depois do primeiro turno mostrou Flávio com 49% e Lula com 45%. Agora, Flávio tem 47% e Lula, 45%. A movimentação que teve foi de dois pontos que eram do Flávio para indecisos ou voto em branco/ nulo. Não dá para dizer quem ganhou e quem perdeu.
Valor: Há uma movimentação do eleitorado mais jovem, de 16 a 24 anos, nas intenções de voto. Tem relação com as manifestações de rua?
Chong: Esse eleitorado está com Lula, que já tinha maioria nessa faixa em 2022. Na primeira pesquisa do 2º turno, esse índice caiu, mas agora retomou. É um grupo muito volátil. No 1º turno, os indecisos estavam no grupo dos mais jovens. As mulheres e os mais jovens demoraram mais para decidir. Entre as mulheres ficou estável: Lula tem 49% e Flávio, 41%. No recorte das mulheres chefes de família, Lula tem 54% e Flávio, 37%. É um segmento que Lula tem vantagem. Entre as mulheres que não são chefes de família, eles empatam. As mulheres têm preocupação maior com o social. Para elas, o principal problema do país é a saúde e para os homens, a segurança.
Valor: Lula anunciou um pacote de bondades, mas não aumentou intenções de voto nem a aprovação. O que ajuda a explicar isso?
Chong: Temos que rememorar 2022, 2018. A partir de 2018, mudou o patamar. No passado, Lula teve avaliações altíssimas. No segundo mandato, nessa época, tinha 81% de aprovação, de ótimo/bom. No primeiro, teve 49% de ótimo/bom. Isso não existe mais, por causa da polarização. A partir de 2018, quando Jair Bolsonaro ganhou, o país se dividiu. Em 2022, com a polarização, Lula ganhou por uma margem mínima no 2º turno. No 1º turno, Lula tinha uma vantagem maior em relação a Jair, de pelo menos dez pontos de vantagem, mas no segundo turno chegaram empatados. Essa polarização se mantém, por isso que a avaliação do Lula nunca foi boa.
Valor: O fim da jornada 6×1 pode mexer esse ponteiro?
Chong: Tem um contingente grande de pessoas que vão ser afetadas, mas tem um contingente maior que não vai, dos informais. É uma medida importante, mas é difícil. Mesmo que a pessoa ache que o governo está melhorando, se ele for Bolsonaro, não vai dizer isso. (Com informações do Valor Econômico)
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