Domingo, 24 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil A equipe econômica do governo Lula terá a ajuda de dois “anabolizantes” para aumentar receitas deste ano

Compartilhe esta notícia:

Em 2025, a inflação vindo de patamar mais alto vai aumentar a base de incidência da arrecadação do governo.(Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

Com a inflação acima do esperado e o dólar mais forte, a arrecadação federal deve ser turbinada – ainda que de forma artificial e com um efeito que tende a ter vida curta. Em 2026, ano eleitoral, o impacto para as contas públicas pode ser reverso.

Em 2025, a inflação vindo de patamar mais alto vai aumentar a base de incidência da arrecadação do governo. O dólar mais caro, por sua vez, ajudará via Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados (IPI), já que os itens atrelados à moeda americana ficarão mais elevados. Além disso, aumentará receitas via royalties de empresas exportadoras – como por exemplo, a Petrobras (petróleo) e a Vale (minério de ferro).

“É um efeito que acontece no curto prazo. Ajuda 2025, mas atrapalha 2026. A não ser que a inflação e o dólar continuem subindo, que é o que ninguém quer – ou seja, fazer o ajuste fiscal com a ajuda do aumento de preços”, explicou o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos.

Nos últimos meses, o mercado financeiro vem piorando, semana a semana, as projeções de inflação no País. Desde 31 de outubro, quando o governo começou a adiar o anúncio das medidas do pacote de contenção de gastos, a expectativa para o IPCA de 2024 saltou de 4,55% para 4,89%, enquanto a projeção para 2025 disparou de 4% para 5%.

Em dezembro de 2024, aponta o economista Fábio Serrano, especialista em política fiscal do banco BTG Pactual, segundo dados do Siga Brasil, a arrecadação com Imposto de Importação teve um crescimento de 64,6% em relação ao mesmo mês de 2023. De janeiro a dezembro, a alta foi de 37%, acompanhando o fortalecimento do dólar no período – um aumento, em termos reais (já descontada a inflação), de R$ 21,5 bilhões.

“Muitos impostos são ad valorem, ou seja, cobrados sobre o valor nominal dos produtos. Um câmbio mais depreciado e uma inflação mais alta elevam a arrecadação. Claro que o efeito final depende da elasticidade de cada produto (o quanto o consumo se altera com a variação dos preços), porque, ao ficar mais caro, sua demanda também deve cair. Mas o efeito líquido é positivo”, disse Serrano.

Com o Imposto de Produtos Industrializados (IPI), que também incide sobre a importação de bens industriais, o aumento em dezembro foi de 15,4%, com alta de 25% de janeiro a dezembro. Isso ajudou a arrecadação desse imposto a subir R$ 16,5 bilhões em 2024.

“O IPI tem dois fatos geradores para a cobrança do imposto: importação ou a saída do produto da fábrica. É o IPI vinculado à importação”, explicou o economista.

Como a economia brasileira é fortemente indexada, num primeiro momento, a inflação aumenta as receitas. Em um segundo momento, contudo, a indexação entra em campo e corrige grande parte das despesas públicas pela inflação, anulando os ganhos.

“O dólar ajudará a puxar a arrecadação de royalties e a arrecadação ligada a lucro das empresas em 2025. Só haverá efeito contrário, em 2026, se a gente considerar que o dólar vai apreciar. No caso da inflação, tem que considerar o efeito da indexação das despesas; este sim reverte parte dos ganhos com mais certeza”, afirmou o economista Pedro Schneider, do Itaú Unibanco.

Próximo do piso da meta

Para 2025, a meta do governo é a mesma de 2024: chegar ao déficit primário zero – ou seja, gastar o mesmo que arrecada, sem considerar as despesas com juros. Mas há uma margem de tolerância que permite um déficit de R$ 31 bilhões (ou 0,25% do PIB).

Além disso, o governo também está autorizado a não contabilizar R$ 44,1 bilhões em gastos com precatórios (dívidas judiciais da União). Isso quer dizer que, mesmo com um buraco de R$ 75,1 bilhões, a meta estará cumprida, em termos formais.

Com esse déficit, contudo, a dívida bruta continuará subindo, o que ajuda a entender por que os especialistas em contas públicas permanecem preocupados mesmo que a meta seja formalmente cumprida. A Warren Investimentos, do economista Felipe Salto, por exemplo, prevê o cumprimento da meta este ano. Ainda assim, estima aumento da dívida.

“Projetamos dívida bruta do governo geral de 76% do PIB, em 2024, e de quase 83% do PIB ao término do atual governo (2026). Continuará subindo daí em diante, mas num ritmo menos pronunciado, até alcançar 96% do PIB, em 2034″, diz relatório da gestora de recursos.

As projeções dos economistas para 2025 apontam que o governo tem grande chance de cumprir o piso da meta. De acordo com o Prisma Fiscal, relatório do Ministério da Fazenda que coleta projeções do mercado financeiro para as contas públicas, a expectativa é de um déficit de R$ 84,3 bilhões este ano.

Como o saldo pode ser negativo em até R$ 75,1 bilhões, levando em conta os precatórios, isso significa que, segundo a média do Prisma, o governo está a R$ 9,2 bilhões de cumprir o piso da meta (R$ 31 bilhões). As informações são do portal Estadão.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Entenda por que chuvas que provocaram destruição no litoral de Santa Catarina são difíceis de prever
Congresso Nacional vai debater mudanças sobre família e sucessões no Código Civil
Pode te interessar