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Colunistas A Estupidez da Guerra e o Verdadeiro Inimigo da Humanidade

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em um momento em que a humanidade deveria estar unida para enfrentar a maior crise de sua história — a emergência climática — ainda assistimos à repetição de um espetáculo trágico: a estupidez da guerra. O império americano, como tantos outros ao longo da história, insiste em alimentar narrativas que justificam ataques em nome da democracia e da liberdade. Mas já vimos esse filme antes. Quando os senhores da guerra produzem suas propagandas, a sociedade, mais tarde, descobre que não era nada daquilo. Os povos que tiveram seus países invadidos não encontraram prosperidade nem democracia; encontraram apenas fome, doenças, miséria e guerras civis intermináveis.

A guerra é uma máquina de destruição que não se limita às vidas humanas. Ela devasta o meio ambiente, contamina rios e solos, destrói florestas e libera toneladas de gases de efeito estufa. Tanques, aviões e explosivos consomem combustíveis fósseis em escala absurda, e cada conflito armado acelera o colapso climático. Estudos já mostraram que os impactos ambientais da guerra são tão devastadores quanto os sociais: além de matar, a guerra sufoca o planeta. Em tempos de emergência climática, insistir em conflitos é um contrassenso ético e filosófico.

É aqui que entra a reflexão sobre justiça energética. Enquanto bilhões são gastos em armas, a transição energética segue lenta, travada por interesses que não querem perder o status quo. O verdadeiro inimigo da humanidade não está do outro lado da trincheira — aliás, trincheiras já não existem nas guerras tecnológicas modernas. O inimigo real aquelas conhecidas indústrias petroleiras que insistem em destruir o planeta, contaminando oceanos, derrubando florestas, envenenando o ar e alimentando o aquecimento global. São elas que promovem o derretimento das geleiras e os eventos extremos que já se tornaram rotina.

Essas corporações, muitas vezes protegidas por governos e lobbies poderosos, são responsáveis por manter viva a dependência dos combustíveis fósseis. Enquanto isso, tecnologias limpas e descentralizadas, como a geração distribuída de energia elétrica, são boicotadas por narrativas que tentam desacreditar sua viabilidade. É uma guerra silenciosa contra o futuro, travada não com armas, mas com discursos e interesses econômicos.

O Brasil, nesse cenário, tem uma oportunidade única de se tornar protagonista da revolução energética. Com sua biodiversidade, potencial de biomassa, energia solar e eólica abundante, o país pode liderar a transição para uma economia verde. Mas isso exige coragem política e ética: não podemos nos submeter às pressões de mercados que querem manter o atraso. A defesa da geração distribuída é, nesse contexto, um ato de justiça. Ela democratiza o acesso à energia, reduz a dependência de grandes corporações e fortalece comunidades locais. É o oposto da lógica da guerra, que concentra poder e destrói sociedades.

Será que o inimigo é mesmo aquele que está do outro lado da trincheira? Ou será que o verdadeiro inimigo é o modelo econômico predatório que insiste em destruir o planeta? A resposta é clara: precisamos abandonar a lógica da guerra e abraçar a lógica da vida. Isso significa acelerar a transição energética, eliminar os combustíveis fósseis, investir em geração distribuída e construir uma economia verde que respeite os limites da Terra.

O salto para uma nova humanidade sem guerras não é utopia, é necessidade. A justiça energética é o caminho para garantir que todos tenham acesso a recursos limpos e sustentáveis. O Brasil pode e deve ser o farol dessa transformação. Chegou a hora de escolher: continuar alimentando a estupidez da guerra ou construir um futuro de paz, justiça e sustentabilidade. A escolha é nossa — e o tempo é agora.

* Renato Zimmermann desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista de transição energética

Contato: rena.zimm@gmail.com

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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