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Brasil A greve dos caminhoneiros ainda afeta entregas: 5% das pessoas que compraram durante a paralisação não receberam os produtos

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Paralisação de maio deve dificultar a retomada da economia. (Foto: Agência Brasil)

A greve dos caminhoneiros acabou há cerca de duas semanas, mas seu impacto ainda é sentido por quem aguarda a entrega de produtos. O presidente da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), Maurício Salvador, estima que cerca de 5% das pessoas que fizeram suas compras durante a greve ainda tenham problemas com atraso. Há vários casos de prazos que foram dilatados e outros para os quais não há sequer previsão para a chegada da encomenda.

O funcionário público Marcos Costa da Rocha faz parte desse grupo. Ele está improvisando suas refeições utilizando um micro-ondas e uma fritadeira elétrica porque o fogão comprado no site da fabricante, em 22 de maio, um dia após o início da paralisação dos caminhoneiros, ainda não chegou. Oito dias após a confirmação do pedido, Rocha recebeu um e-mail no qual a indústria admitia que poderia haver atraso devido a greve.

“O sentimento que fica é de imensa frustração. Ao ligar reclamando, disseram-me que não havia previsão de emissão da nota fiscal, e muito menos da entrega. Finalmente, prometeram que chegará esta semana. Vamos aguardar”, disse Rocha ao jornal O Globo.

A fabricante confirmou que a entrega do produto está prevista para logo e indicou que o valor do frete será estornado. A empresa afirmou ainda que se trata de um caso isolado, devido a um atraso na liberação do produto na fábrica.

Queda nas compras

Segundo Gastão Mattos, coordenador do Comitê de Varejo On-line e ex-presidente da Camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico), a parte de logística foi a mais afetada pelo movimento dos caminhoneiros, o que gerou reflexos em pedidos feitos antes e durante a greve. O impacto só não foi maior, diz, porque a demanda caiu. Análise encomendada pela Camara-e.net à Netquest, empresa especializada em pesquisas on-line, mostra que, de 21 a 30 de maio, houve queda de 3,6% nos pedidos e de 0,5% nas visitas aos sites.

“Se a paralisação tivesse ocorrido no fim de abril ou começo de maio, o impacto seria muito maior, pois a demanda estaria aquecida por causa do Dia das Mães. Como o Dia dos Namorados, outra data importante para o varejo, estava distante, e o brasileiro deixa para fazer as compras em cima da hora, o efeito não foi tão grande”, explicou Mattos.

De acordo com a ABComm, durante a paralisação, cerca de 1,5 milhão de encomendas ficou preso nos depósitos das transportadoras e outro 1,5 milhão, dentro dos caminhões parados nas estradas brasileiras.

Cancelamento

Os Correios, por sua vez, admitiram que, apesar das ações de contingência adotadas durante a greve, houve impacto significativo no transporte de correspondência e de encomendas, ocasionando um acúmulo equivalente a quatro dias de entregas em seus principais terminais.

Também houve contingenciamento em algumas unidades de distribuição por falta de combustível para motos e veículos, ocasionando a suspensão de prazos e de postagens para alguns serviços como telegrama e Sedex.
Em alguns postos faltavam, inclusive, caixas e até fitas adesivas para a devolução de produtos (logística reversa). A reposição de insumos, informou a instituição, só deve ser normalizada em julho. A empresa, no entanto, diz que, desde o dia 6 deste mês, foram retomadas as postagens dos serviços com dia e hora marcados, como o Sedex, assim como os prazos de entrega para todas as modalidades de postagens. O prejuízo estimado com a greve é de, ao menos, R$ 150 milhões.

Salvador, da ABComm, pondera que os consumidores devem entender que os atrasos ocorreram por motivos de forças que fogem do controle das lojas. Ele acrescentou que a maioria das empresas informou em suas páginas na internet que as entregas poderiam sofrer atrasos, e que os avisos foram mantidos mesmo após o fim da greve. Outras enviaram e-mails para comunicar o rastreamento das entregas, e acrescentou: “O comprador que quiser cancelar a compra e pedir seu dinheiro de volta deve entrar em contato com a loja virtual. Os que tiverem um pouco mais de paciência para aguardar, devem cobrar das lojas a informação atualizada sobre o rastreamento do pedido e um prazo mais exato para a entrega.”

Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP, ratifica a possibilidade de cancelamento, e esclarece que, nesta situação, apenas em casos específicos, de produtos de primeira necessidade, como é o do fogão, o consumidor pode entrar com ação judicial e pedir indenização por dano moral.

“O fornecedor tem que entregar no prazo. Se não puder cumpri-lo, deve entrar em contato com o comprador e negociar nova data. Neste caso, cabe ao consumidor decidir se aceita ou não.”

Fátima acrescentou que, independentemente da greve, os problemas de entrega ainda são frequentes e muito significativos.

 

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