Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 31 de maio de 2018
Em dez dias de paralisação nacional dos caminhoneiros, o consumo de energia no Brasil foi 6,6% inferior ao previsto pelo sistema, de acordo com informações da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O movimento foi deflagrado no dia 21 de maio.
Considerando-se que a carga média é de 60 mil MWm (megawatts-médios), houve uma redução de praticamente 4 mi MWm. Essa carga é suficiente para abastecer um total de 6,9 milhões de pessoas, pouco mais que a população do Estado do Rio de Janeiro, segundo estimativas de especialistas.
As Regiões brasileiras que sofreram maior impacto em termos de redução de consumo de energia foram o Sul, com queda de 10,6%, o Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 6,7%. Já no Nordeste, a queda foi de 4,1%, e no Norte chegou a 3,3%.
“O consumo evidentemente diminui”, reitera o presidente da comercializadora América Energia, Andrew Frank. “O comércio não está funcionando da mesma forma, a indústria não pode trabalhar porque faltam matérias-primas, insumos, partes intermediárias, logística de transportes.”
Ele apontou que outro eventual impacto da paralisação de caminhoneiros sobre o setor de geração de energia poderia se dar com dificuldades para o abastecimento de termelétricas que operam com combustíveis como o óleo diesel.
Na última sexta-feira, a Eletrobras informou que seis localidades no Estado de Rondônia, na Região Norte do País, chegaram a ficar no escuro devido ao final dos estoques de combustíveis em termelétricas, mas a situação já se encontra normalizada, de acordo com a estatal.
Menos fiscalização
A falta de combustíveis ocasionada pela greve tem impactado na prática também as operações de distribuidoras e transmissoras de energia, que têm limitado a atuação de equipes de fiscalização e manutenção para poupar os tanques para eventuais emergências.
“Nós estamos guardando o combustível que temos para deslocamentos… para deslocamentos de emergência. Até agora não tivemos nenhum problema, mas por questão de precaução estamos fazendo esse controle”, disse à Reuters o diretor técnico da transmissora Cteep, Carlos Ribeiro.
A Eletrobras também confirmou a restrição de atendimentos no Alagoas, onde controla a distribuidora de energia Ceal. “O plano de contingência elaborado pela empresa é para atender serviços considerados essenciais, como hospitais e emergenciais, que colocam em risco a segurança de seus clientes”, sublinhou em nota.
A Eletropaulo, responsável pela distribuição de energia em São Paulo, também disse que suspendeu serviços de manutenção preventiva e outras atividades para priorizar atendimentos de emergência. Na sexta-feira, a distribuidora notificou que um de seus caminhões teve dois pneus furados em um bloqueio.
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