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Variedades A importância de se ter independência emocional nas relações

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Saiba como conseguir se sustentar sem depender da validação do outro o tempo inteiro. (Foto: Reprodução)

As novelas, as músicas, os filmes, algumas peças teatrais como Romeu & Julieta, entre outras e as histórias ou estórias sempre abordaram o amor romântico e têm letras como a de Tom Jobim que afirma categoricamente: ”É impossível ser feliz sozinho?” Será mesmo? É preciso encontrar a metade da laranja para se sentir inteiro ou já somos mesmo a laranja e o que vier para somar será ótimo?

Em outra canção, Satisfeito, de Marisa Monte, a indagação:”Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? Vivo tranquilo, a liberdade é quem me faz carinho”. Pois é. E as pessoas, principalmente as mulheres, a quem sempre foi dado o fardo ou a obrigação de ser casada a ponto de falarem: ”vai ficar para titia” ou ainda mais agressivo: vai encalhar, estão mudando esse pensamento. Afinal, casamento nunca foi e jamais será sinônimo de felicidade.

A boa notícia é que a maioria das pessoas, entre 40 e 50 anos, não está mais caindo nessa e começa a ver a importância da independência emocional até para encontrar pares e amigos que tenham mais a ver com elas.

Confira abaixo trechos de uma entrevista com a psicóloga Claudia Melo publicada pelo jornal O Dia:

1. O que a psicologia entende por independência emocional e por que ela pode se fortalecer entre os 40 e 50 anos?
Claudia Melo: A independência emocional não significa não precisar de ninguém. Significa conseguir sustentar quem se é sem depender o tempo inteiro da validação do outro para sentir valor pessoal. Entre os 40 e 50 anos, muitas pessoas começam a viver um processo mais profundo de autoconhecimento. Existe uma revisão de escolhas, prioridades e relações. É uma fase em que muita gente percebe que passou anos tentando corresponder expectativas sociais e começa a se perguntar o que realmente faz sentido para si.

Pesquisas recentes publicadas na revista científica Personal Relationshi mostram que pessoas solteiras nessa fase da vida podem desenvolver mais autonomia emocional, autoconhecimento e sensação de liberdade emocional. Isso acontece porque aprendem, ao longo do tempo, a construir uma vida afetiva menos dependente da aprovação externa. Na visão de Carl Rogers (psicólogo psicólogo americano, considerado um dos fundadores da psicologia humanista e criador da Abordagem Centrada na Pessoa), o amadurecimento emocional acontece quando a pessoa consegue viver de forma mais congruente consigo mesma, mais próxima daquilo que realmente sente e é.

2. Existe diferença entre estar sozinho por escolha e por circunstância? Como isso influencia o bem-estar?
Claudia Melo: Existe muita diferença. O sofrimento não está necessariamente em estar sozinho, mas no significado emocional que isso tem para cada pessoa. Quando a solteirice é uma escolha consciente, ela costuma vir acompanhada de liberdade, autonomia e paz interna. Já quando acontece a partir de perdas, rejeições ou frustrações não elaboradas, pode gerar sofrimento, sensação de inadequação e vazio emocional. A psicologia entende que o bem-estar não depende apenas do estado civil. Depende da qualidade da relação que a pessoa constrói consigo mesma e também dos vínculos que consegue manter ao longo da vida.

3. Como diferenciar independência emocional de isolamento ou solidão?
Claudia Melo: A independência emocional aproxima a pessoa dela mesma. O isolamento afasta a pessoa do mundo. Uma pessoa emocionalmente saudável consegue estar bem na própria companhia, mas continua aberta às trocas afetivas, aos vínculos e ao encontro com o outro. Ela não precisa se fechar emocionalmente para se sentir forte.

A solidão dolorosa normalmente aparece quando existe desconexão afetiva, sensação de não pertencimento e dificuldade de compartilhar a própria vida de forma genuína. Existe uma diferença importante entre estar só e sentir-se sozinho. Há pessoas em relacionamentos profundamente solitárias e pessoas solteiras emocionalmente nutridas por amizades, família, projetos e propósito de vida. Inclusive, pesquisas sobre saúde emocional mostram que vínculos significativos e rede de apoio têm impacto direto na sensação de bem-estar e qualidade de vida.

4. Que estratégias podem ajudar a fortalecer a autonomia emocional e evitar sentimentos de solidão?
Claudia Melo: O primeiro passo é fortalecer a relação consigo mesmo. Muitas pessoas aprenderam a cuidar da vida inteira de todos ao redor, mas nunca desenvolveram intimidade com a própria história emocional. É importante cultivar amizades, fortalecer redes de apoio, construir interesses pessoais, desenvolver autonomia emocional e aprender a reconhecer as próprias necessidades afetivas sem vergonha.

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